domingo, 4 de novembro de 2018

Escuridão Sobrenatural



                Agora, a partir da sexta hora escuridão caiu sobre toda a terra até a hora nona. (27:45) 

Quando Jesus nasceu, o céu noturno ao redor de Belém se encheu de luz sobrenatural como "a glória do Senhor os cercou de resplendor" os pastores no campo (Lucas 2: 9). João falou de Jesus como "a luz dos homens", e "a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todo homem" (João 1: 4, 9). Jesus falou de si mesmo como "a luz do mundo" (João 8:12; cf. 12: 35-36).
          Mas o primeiro sinal miraculoso que acompanhou a morte de Jesus não foi gloriosa luz, mas temem a escuridão. A partir da sexta hora (meio-dia), quando o sol está em seu apogeu, sobrenatural escuridão caiu sobre toda a terra até a hora nona (3:12 PM ). Crucificação de Jesus havia começado na terceira hora, ou 9:12 AM (Marcos 15:25), e quando a escuridão começou Ele tinha sido na cruz por três horas.
          Durante essas três primeiras horas, o silêncio foi quebrado por Jesus apenas três vezes. A primeira foi por Sua dizendo: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem" (Lucas 23:34), e um pouco mais tarde disse ao ladrão arrependido ao lado dele, "Em verdade eu vos digo: , hoje estarás comigo no paraíso "(23:43). Pouco depois que ele disse à sua mãe: "Mulher, eis o teu filho!" e João, "Eis a tua mãe!" (João 19: 26-27).
          No início do segundo três horas, a grande escuridão caiu sobre toda a terra. O grego gē ( terra ) também pode ser traduzida terra , indicando o mundo inteiro. Portanto, não é possível a partir do texto para determinar quão difundido é a escuridão era. Deus foi igualmente capaz, é claro, fazer a escuridão local ou universal. Pouco antes do Êxodo, Ele fez uma grande escuridão para cobrir a terra do Egito (Ex. 10: 14-15), e cerca de quarenta anos mais tarde, ele fez com que o sol para "ficar parado", provavelmente por parar temporariamente a rotação da Terra (Js. 10: 12-13; cf. 2 Reis 20: 9-11).
          Vários relatos interessantes na literatura extra-bíblica sugerem que a escuridão na crucificação de Jesus foi em todo o mundo. A igreja primitiva Pai Orígenes ( Contra Celso , 2,33) relatou a declaração de um historiador romano que mencionou tal escuridão. “Outra igreja Pai, Tertuliano, escreveu a alguns conhecidos pagãos sobre uma escuridão incomum naquele dia “, que é de admirar é relacionados com suas próprias anais e preservados em seus próprios arquivos para este dia" Houve também um suposto relatório de Pilatos ao Imperador Tiberius que assumiu o conhecimento do imperador de uma certa escuridão generalizada, nem mesmo mencionar que foi 12-3 na parte da tarde.
          Para descrever essa escuridão Lucas usou a palavra ekleipō , que tem o significado literal de falhar, ou deixar de existir, e é o termo a partir do qual eclipse é derivado. Mas um eclipse astronômico normal teria sido impossível durante a crucificação, porque o sol e a lua foram afastados no mesmo dia. Independentemente da sua extensão, portanto, o escurecimento do sol era pela intervenção sobrenatural de Deus. Durante esse período de três horas, Lucas explica, o sol estava encoberto (23:45).
          A Propósito para a escuridão não é explicado nos evangelhos ou em outro lugar nas Escrituras, mas de acordo com as Talmude Babilônico muitos rabinos há muito tempo ensinou que escurecimento do sol foi um julgamento de Deus sobre o mundo para um pecado invulgarmente hediondo. Se, de fato, essa era a intenção de Deus na crucificação, apresentava uma lição objeto gigantesco para o mundo sobre o maior pecado cometido pela humanidade caída.
           Alguns intérpretes têm sugerido a escuridão era um meio de Deus lançando um grande véu sobre os sofrimentos de Cristo, e outros que era um ato de simpatia paternal divina dada para cobrir a nudez e desonra de Seu Filho.
           Mas, à luz de muitos ensinamentos e eventos bíblicos, parece que a escuridão crucificação era de fato uma marca do julgamento divino. Ao falar do ser de Assíria usado por Deus para punir Israel, Isaías falou de "trevas e angústia" que iria cobrir a terra, quando "até a luz é escurecido por suas nuvens" (Is. 05:30). Ao descrever o dia do Senhor, o mesmo profeta declarou que "as estrelas do céu e as suas constelações não vai resplandecer a sua luz" e que "o sol será escuro quando ele sobe, ea lua não dará a sua luz. Assim Eu vou punir o mundo de sua maldade, "Deus disse," e sobre os ímpios a sua iniqüidade "(13: 10-11).
          Também falando do dia do Senhor, o profeta Joel escreveu sobre "um dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e densas trevas" (Joel 2: 2). Amos perguntou retoricamente: "Não vai o dia do Senhor são trevas em vez da luz, mesmo melancolia sem brilho nele?" (Amós 5:20). Sofonias escreveu: "Ouça, o dia do Senhor! Nele, o guerreiro chora amargamente. Um dia de ira é que dia, um dia de tribulação e de angústia, dia de destruição e desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e densas trevas "(Sofonias 1: 14-15.).
          Nessas passagens do Antigo Testamento e muitos outros o juízo de Deus está diretamente associada com a escuridão, e de associação semelhante é encontrada no Novo Testamento. Pedro declara que Deus expulsou os anjos rebeldes "no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando para o julgamento" (2 Ped. 2: 4).
          Em muitas das mesmas palavras, Judas fala desses anjos sendo "reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia" (Judas 6). O próprio Jesus falava freqüentemente de julgamento divino em termos de "trevas exteriores", onde "haverá choro e ranger de dentes" (Mateus 08:12;. 22:13; 25:30).
           A cruz era um lugar de julgamento divino imensa, onde os pecados do mundo foram derramado vicariamente no impecável, perfeito Filho. Foi, portanto, apropriado que grandes trevas sobrenatural expressar a reação de Deus para o pecado nesse ato de julgamento.
          Bibliografia: JOHN MacArthur COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO

sábado, 3 de novembro de 2018

SOBRE A FAMILIA



            CREMOS, professamos e ensinamos que a família é uma instituição criada por Deus, imprescindível à existência, formação e realização integral do ser humano, sendo composta de pai, mãe e filho(s) — quando houver — pois o Criador, ao formar o homem e a mulher, declarou solenemente: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e fê-los macho e fêmea: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27), demonstrando a sua conformação heterossexual. A diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal: “Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão, no Senhor” (1 Co 11.11); essa complementaridade mútua é necessária à formação do casal e à procriação. Reconhecemos preservada a família quando, na ausência do pai e da mãe, os filhos permanecerem sob os cuidados de parentes próximos. Rejeitamos o comportamento pecaminoso da homossexualidade por ser condenada por Deus nas Escrituras, bem como qualquer configuração social que se denomina família, cuja existência é fundamentada em prática, união ou qualquer conduta que atenta contra a monogamia e a heterossexualidade, consoante o modelo estabelecido pelo Criador e ensinado por Jesus.
1.   O casamento ou união matrimonial.
Instituição criada por Deus, que tem por princípios reguladores e estruturantes a monogamia: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24) e a heterossexualidade: “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea” (Mt 19.4). Pelo casamento, um homem e uma mulher, por livre consentimento, decidem unir-se mediante um pacto solene, do qual o Senhor Deus é a principal testemunha, e, na condição de cônjuges sob os aspectos legal, formal, moral e espiritual, prometem viver em fidelidade mútua, até que a morte os separe. De tal modo sublime: “Venerado seja entre todos o matrimônio” (Hb 13.4), tem por referencial espiritual, moral e afetivo o relacionamento entre Cristo e a Igreja. O casamento tem por propósitos: a instituição da família matrimonial; compensação mútua do casal; a procriação; o auxílio mútuo e continência e satisfação sexual. Entendemos que o homem é unido sexualmente à sua esposa, como resultado do amor conjugal, não só para procriar, mas também para uma vivência afetuosa, agradável e prazerosa: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv 5.18) dentro dos limites do uso natural do corpo e da pureza e da santidade. Reconhecemos o casamento civil e o religioso com efeitos civis desde que não afrontem os princípios bíblicos e, em especial, não seja realizado entre pessoas divorciadas, em desacordo com o preconizado pelo Senhor Jesus. A dissolução do casamento é justificada nos seguintes casos: morte, infidelidade conjugal e deserção por parte do cônjuge descrente.
2.   Pai, mãe e filhos.
O pai e a mãe integram, de forma originária, determinante e estruturante, a família, e a eles a Bíblia impõe o dever de sustentar, formar, disciplinar os filhos e instruí-los moral e espiritualmente. A diferenciação dos sexos é um princípio bíblico, natural e determinante para as figuras paterna e materna. Na falta do pai ou da mãe por deserção, separação, divórcio ou morte, o cônjuge remanescente continua a cumprir o dever de preservar a família. Os filhos também, quando adquirirem capacidade financeira, honram o pai ou a mãe que ficar sozinho. Todo relacionamento entre homem e mulher que gere descendentes fora do casamento acarreta compromissos morais e obrigações sociais para com esses descendentes em razão da paternidade ou maternidade. Entretanto, por configurar um desvio moral e espiritual em relação ao padrão divino para a instituição e preservação da família, tal relacionamento não deve ter continuidade, posto que se constitui prostituição, se antes do casamento, ou adultério, se extra matrimonial: “porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4). Os filhos, sejam eles decorrentes do vínculo matrimonial, de adoção, ou havidos fora do casamento, prestam obediência ao pai e à mãe, honrando-os por toda a vida. Esse princípio é mitigado a partir do momento em que esse filho forma  uma nova família, mediante o matrimônio. A responsabilidade moral e espiritual decorrente dos laços de consanguinidade e parentalidade perduram, mesmo diante da diminuição ou extinção do afeto entre irmãos, originários ou não da relação matrimonial, ou da adoção.
3.   Formas heterodoxas de formação de família.
Considerando o padrão bíblico heterossexual e monogâmico da procriação, quando diante de problemas de saúde que causam a infertilidade em pelo menos um dos cônjuges, pode-se recorrer à medicina: “Não necessitam de médico os sãos, mas sim, os doentes” (Mt 9.12) a fim de superar a deficiência. Em face dos avanços médicos e científicos, a igreja posiciona-se favoravelmente às técnicas reprodutivas que não atentam contra a pureza da relação sexual monogâmica, desde que a fertilização (processo no qual tem início a vida humana) ocorra no interior do corpo da mulher e os gametas utilizados pertençam ao próprio casal. As técnicas em que a fertilização ocorre fora do corpo da mulher, com a respectiva manufatura do embrião, são condenáveis por desrespeitarem o processo de fecundação natural que deve ocorrer no interior do ventre materno. Além de esses procedimentos exporem os embriões ao risco de serem descartados, crio preservados ou utilizados em experimentos, podem possibilitar a comercialização de corpos e de almas, atitude essa escatologicamente prevista e condenada nas Escrituras. Condenamos as técnicas reprodutivas que requerem o descarte de embriões e doação. Rejeitamos a maternidade de substituição, mediante a qual se doa temporariamente o útero, por ferir a pureza monogâmica. Não admitimos a reprodução post-mortem em virtude da cessação do vínculo matrimonial: “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7.39).
Bibliografia: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus - Declaração de Fé  - Novembro/2016.




Referência Bíblica
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn 1.16). União
“Este criara a Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era moça bela de aparência e formosa à vista; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha... Chegando, pois, a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu (que a tomara por sua filha), para ir ao rei, coisa nenhuma pediu, senão o que disse Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres; e alcançava Ester graça aos olhos de todos quantos a viam” (Et 2.7,15); adoção
“Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas” (1 Tm 5.16). Assistência
“Com varão não te deitarás, como se fosse mulher: abominação é” (Lv 18.22); Abominções
“Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundície, para desonrarem o seu corpo entre si... Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Ro 1.24-27); abominações
“Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1 Co 6.10). Abominações
“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.4-6).união
 5 “E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto. E não fez ele somente um, sobejando-lhe espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade” (Ml 2.14,15). Fidelidade
“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mateus 19.6); união
“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7.39).fim da obrigação matrimonial
“Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; porque somos membros do seu corpo. Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5.23-31).obrigações matrimoniais
“O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência” (1 Co 7.3-5). Sexualidade matrimonial
  “E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele”(Gn 2.18).família é projeto de Deus
“Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Co 7.2). Objetivo do casamento
 “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4).abominações
 “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério” (Mt 5.32); divórcio permitido por Deus
“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz” (1 Co 7.15). Divórcio permitido por Deus
 “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4);obrigação dos pais
“Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos” (Hb 12.7,8).caráter da correção
 116 21 “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Dever dos pais
22 “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um varão” (Gn 4.1). Filhos é herança do Senhor
“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8). Vocação do casal
 “Mas, se alguma viúva tiver filhos ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus” (1 Tm 5.4). Obrigação dos filhos
 “Porém Abraão deu tudo o que tinha a Isaque. Mas, aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu Abraão presentes e, vivendo ele ainda, despediu-os do seu filho Isaque, ao Oriente, para a terra oriental” (Gn 25.5,6). Acepção de filhos
“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6.1-3). Obrigação dos filhos
“mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher. Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido” (1 Co 7.33, 34). Diferença da casada com a solteira
 Estudo complementar

A Imagem De Deus

       O conceito de imagem de Deus é o coração da antropologia cristã. Precisamos entender bem este conceito.
       O homem distingue-se das demais criaturas de Deus, porque foi criado de uma maneira singular. Apenas do homem é dito que ele foi criado à imagem de Deus. Esta expressão descreve o homem na totalidade de sua existência, ele é um ser que reflete e espelha Deus. (Gn 1:26-28).
       Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
       E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gn 1:26-28).
       A imagem de Deus no homem não é algo acidental, mas é algo essencial à natureza humana. O homem não pode ser homem sem a imagem de Deus. O homem é a imagem de Deus, não simplesmente a possui, como se fosse algo que lhe foi acrescentado.

"Imagem" e "Semelhança"?

Qual o significado destas palavras?
       Aqui eu quero ver com os irmãos, os 4 estágios da imagem de Deus no homem. A imagem original, a imagem desfigurada, A imagem original, a Imagem desfigurada, A imagem restaurada e a Imagem aperfeiçoada.
1 - A imagem de Deus no homem originalmente
       No Velho Testamento encontramos apenas três passagens que tratam de forma específica a questão da imagem de Deus. (Gen. 1:26-28; 5:1-3; 9:6).
"Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" . Sobre o significado das palavras "Imagem e Semelhança" entendemos que elas não se referem a coisas diferentes, embora alguns defensores da fé do passado tivessem crido diferente (1).
       Veja as razões porque entendemos que estes dois termos querem significar a mesma coisa:
       Em Gen. 1:26, aparecem as duas palavras "imagem e semelhança"; em 1:27 o autor usou apenas o termo "imagem"; em 5:1 ele resolve substituir o termo por outro - "semelhança", e, em 5:3, o autor novamente volta a usar as duas palavras , contudo em ordem diferente daquela usada em 1:26 - "semelhança e imagem" e em 9:6 ele volta a usar apenas um dos termos, optando agora pelo termo "imagem". Isto, deixa suficientemente claro para nós que "imagem e semelhança" são termos sinônimos, e que querem dizer a mesma coisa. Caso não fosse assim, o autor não faria estas mudanças alternando os termos.

O Que Significa ser Criado á Imagem e Semelhança?
       Mas o que entendemos por Imagem e Semelhança? Por estes dois termos queremos dizer que o homem foi criado para refletir, espelhar e representar Deus. Nossos primeiros pais foram criados para refletir as qualidades que haviam em Deus, e isto em perfeita obediência, sem pecado. Agostinho diz que o homem foi criado "capaz de não pecar" (2). O homem podia agir perfeitamente e obedientemente na adoração , no serviço a Deus, no domínio e cuidado da criação e no amor e companheirismo uns com os outros.
       Berkhof diz que na concepção reformada, a Imagem de Deus consiste na integridade original da natureza do homem, integridade esta expressa:

No Conhecimento Verdadeiro

"E vos revestistes do novo homem, que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou"  Cl 3:10

Na Justiça e Na Santidade
"E vos revestis do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade"  Ef. 4:24

Van Groningen assevera que:
       Ao criar a humanidade á sua própria imagem, Deus estabeleceu uma relação na qual a humanidade poderia refletir, de modo finito, certos aspectos do infinito Rei-Criador. A humanidade deveria refletir as qualidades éticas de Deus, tais como "retidão e verdadeira santidade"... e seu "conhecimento" (Cl 3:10). A humanidade deveria dar expressão ás funções divinas em ralação ao cosmos e atividades tais como encher a terra, cultivá-la e governar sobre o mundo criado. A humanidade em uma forma física, também refletiria as próprias capacidades do Criador: apreender, conhecer, exercer amor, produzir, controlar e interagir (4).
       Percebemos nas palavras do Dr. Van Groningen que ele apresenta a imagem de Deus como tendo uma tríplice relação:
Relação com Deus,
Relação com o próximo
Relação com a criação.
       Iremos verificar em nosso estudo que em seu estado glorificado, os santos refletirão esta imagem e semelhança restaurando no estado final, esta tríplice relação em sua perfeição.
       Antes do homem cair em pecado, ele refletia perfeitamente a imagem de Deus. Tudo estava em perfeita harmonia. Mas em que consistia este refletir a imagem de Deus?(5)

1 - O homem reflete a imagem de Deus como um ser que é relacional.

Ele não é um ser que vive isolado, assim como Deus não vive só. Deus é Tripessoal, e se relaciona entre as pessoas da Trindade (Gn 1:26 - "Façamos o homem ... ")
       O homem é uma pessoa, e como tal ele se relaciona. Foi por isto que Deus lhe fez uma companheira.
2 - O homem reflete a imagem de Deus pela sua capacidade de dominar sobre as outras coisas criadas.
       O homem foi colocado como "senhor" da terra, para governá-la e cuidar dela. (Gn 1:26-28). O domínio do homem sobre as coisas criadas é parte essencial de sua natureza. Nesse sentido, o homem imita o Seu Criador, pois Deus é o Senhor soberano e absoluto exercendo domínio sobre toda a terra.
       A Deus pertence o domínio e o poder; ele faz reinar a paz nas alturas celestes. Jó 25:2
O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras. Sl 145:13
Dn. 4:3,25,34.
       Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração. V. 3
Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. v. 25
       Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. v. 34
Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! I Pe 4:11
Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Sl 72:8
3 - O homem reflete a imagem de Deus por Ter atributo que chamamos "essenciais" nele; sem os quais ele não poderia continuar sendo o que é:

a) Poder intelectual: É a faculdade de raciocinar, inteligência e outras capacidades intelectivas em geral, que refletem aquilo que Deus tem.
b) Afeições naturais: É a capacidade que o homem tem de ligar-se emocionalmente e afetivamente a outros seres e coisas. Deus tem esta capacidade.
c) Liberdade moral: Capacidade que o homem tem de fazer as coisas obedecendo a princípios morais.
d) Espiritualidade: A Escritura diz que o homem foi criado "alma vivente" (Gn 2:7). É a natureza imaterial do homem. Deus é espírito, e num certo sentido, o homem tem traços desta espiritualidade.
e) Imortalidade: Depois de criado, o homem não deixa mais de existir. A morte não é para o corpo, mas para o homem. Morte é separação e não cessação de existência. A imortalidade é essencial para Deus (I Tm 6:16). O homem, num caráter secundário derivado, passa a Ter a imortalidade.
4 - A queda e a Imagem Desfigurada
       Como sabemos, este estado de integridade ("posso não pecar") não foi mantido até o fim pelos nossos primeiros pais. Veio a desobediência e consequentemente a queda. Nossos primeiros pais, criados para refletir e representar Deus não passaram no teste. Provados, caíram e deformaram a imagem de Deus neles.
Podemos fazer a seguinte pergunta: Quando o homem caiu, perdeu ele totalmente a Imago Dei?
       Respondemos que em seu aspecto estrutural ou ontológico (aquilo que o homem é), não foi eliminado com a queda, o homem continuou homem, mas após a queda, o aspecto funcional (aquilo que o homem faz) da imago Dei, seus dons, talentos e habilidades passaram a ser usados para afrontar a Deus.
       Para Calvino, a imagem de Deus não foi totalmente aniquilada com a Queda, mas foi terrivelmente deformada Ele descreveu esta imagem depois da queda como "uma imagem deformada, doentia e desfigurada" (6).
       O homem antes criado para refletir Deus, agora após a queda, precisa ter esta condição restaurada. Restauração esta que se estenderá por todo o processo da redenção. Esta renovação da imagem original de Deus no homem significa que o homem é capacitado a voltar-se para Deus, a voltar-se para o próximo e também voltar-se para a criação para governá-la.

5 - Cristo e a Imagem Renovada
       Num sentido, como já dissemos, o homem ainda é portador da imagem de Deus, mas também num sentido, ele precisa ser renovado nesta imagem.
       Esta restauração da imagem só é possível através de Cristo, porque Cristo é a imagem perfeita de Deus, e o pecador precisa agora tornar-se mais semelhante a Cristo. Lemos em Cl. 1:15 "Ele é a imagem do Deus invisível" e em Romanos 8:29 que Deus nos predestinou para sermos "Conforme a imagem de Seu Filho ..." (I Jo 3:2; II Co 3:18)

6 - A Imagem Aperfeiçoada
       A completação da perfeição dos cristãos será a participação da final glorificação de Cristo Jesus. Não somos apenas herdeiros de Deus, mas também co-herdeiros com Cristo, "Se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados" (Rm 8:17). Não podemos pensar em Cristo separado de seu povo, nem de seu povo separado dele. Assim será na vida futura: a glorificação dos cristãos ocorrerá junto com a glorificação do Senhor Jesus . É exatamente isto que Paulo nos ensina em Cl 3:4:
"Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória"
       A glorificação é voltar à perfeição com a qual fomos criados por Deus, é voltar a imagem de Deus. Este é o propósito último de nossa redenção. Esta perfeição da imagem será o auge, a consumação do plano redentivo de Deus para o seu povo. E isto só é possível em Cristo.
       Em Cristo, o eleito não apenas volta ao que era Adão antes de pecar, mas vai um pouco mais à frente:
       Note as palavras de Anthony Hoekema:
      Devemos ver o homem à luz de seu destino final (...) Adão ainda podia perder a impecabilidade e bem aventurança, mas aos santos glorificados isso não poderá mais ocorrer. Adão era "Capaz de não pecar e morrer"(posse non peccare et mori), os santos na glória, porém "não serão capazes de pecar e morrer" (non posse peccare et mori). Esta perfeição, que não se poderá perder, é aquilo para o qual o homem foi destinado e nada menos do que isto (7)
       Sabemos que os santos glorificados, em seu estado final não vão pecar nem morrer. Várias passagens das Escrituras nos garantem isto. (Is. 25:8 I Cor. 15:42,54; Ef. 5:27; Ap. 21:4)
       Paulo em sua carta aos Efésios nos ensina que o propósito de Deus para sua igreja, é apresentá-la "a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (cf. Ef. 5:27)
       Nesta dispensação, até a Segunda Vinda de Cristo, carregamos conosco, conforme lemos em I Cor. 15:49, a "imagem do que é terreno", mas na glorificação, teremos plena e perfeitamente a "imagem do celestial", ou seja, a imagem de Cristo. No porvir, nossa vida será gloriosa, porque teremos a imagem de Cristo, seremos como Ele é, e Cristo sendo a imagem de Deus, teremos a imagem de Deus de volta em nós de forma completa e perfeita.
       Calvino comentando este texto de I Cor. 15:49 diz:
       Pois agora começamos a exibir a imagem de Cristo, e somos transformados nela diária e paulatinamente; porém esta imagem depende da regeneração espiritual. Mas depois seremos restaurados à plenitude, que em nosso corpo, quer em nossa alma, o que agora teve início será levado à completação, e alcançaremos, em realidade, o que agora esperamos(8)
       Note ainda as palavras de João: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-lo como ele é" I Jo. 3:2
   O que João nos diz, é que, na ocasião da Segunda Vinda de Cristo, seremos assemelhados a Ele, perfeita e completamente. E como Cristo é a imagem de Deus invisível, os santos glorificados terão a imagem de Cristo. Isto significa dizer que a nossa imagem na glorificação, será restaurada à imagem de Deus. Esta semelhança a Deus e a  Cristo é o propósito final da nossa redenção, ou seja, a glorificação.
       Por enquanto, a imagem de Cristo em nós está em processo contínuo conforme nos diz Paulo em II Cor. 3:18 que estamos "sendo transformados de glória em glória" , mas após a nossa ressurreição, poderemos refletir a perfeição desta imagem, que Deus começou em nós, e assim, só então, poderemos ser tudo aquilo para o qual fomos destinados pelo Pai.
       Neste processo de restauração da imagem de Deus em nós, através de Cristo, chamamos de santificação que é a "conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora (...); a glória é a conformidade perfeita a imagem de Cristo lá e então, Santificação é a glória começada; glória é a santificação completada" (9)
       Gerrit C. Berkouwer, teólogo holandês, nos mostra que a verdadeira imagem de Deus se pode conseguir apenas em Jesus Cristo que é a imagem perfeita de Deus. Ser renovado á imagem de Deus é tornar-se parecido com Jesus (10).
       Todo o povo de Deus, de todas as nações, tribos, línguas, estará então com Deus por toda a eternidade, glorificando a Deus pela adoração, serviço e louvor. Todos nossos atos serão enfim feitos sem pecado com perfeição e aí o propósito que Deus estabeleceu para seus remidos terá sido alcançado.
       A Imagem de Deus para João Calvino (1509 - 1564) -
       Veja como Calvino responde ás seguintes questões sobre a Imagem de Deus:
1 - Onde situa-se a imagem de Deus no homem?
R: Segundo Calvino, ela é encontrada fundamentalmente na alma do homem.
2 - Em que constitui originalmente a imagem de Deus?
R: Com base em Cl 3:10 e Ef 4:24, Calvino conclui que a imagem de Deus no homem incluía originalmente o verdadeiro conhecimento, justiça e santidade.
3 - Existe algum aspecto sob o qual o homem decaído ainda é a imagem de Deus?
R: Antes da queda, de acordo com Calvino, o homem possuía a imagem de Deus em sua perfeição. A queda, contudo, teve um efeito devastador sobre esta imagem. A imagem de Deus não é totalmente aniquilada pela queda, mas é terrivelmente afetada, deformada.
4 - O que a queda fez à imagem de Deus?
R: O que aconteceu foi que quaisquer dons ou habilidades que o homem reteve, tais como razão e a vontade foram pervertidos e deturpados pela queda. Todas as suas faculdades estão viciadas e corrompidas.
5 - Como a imagem de Deus é renovada no homem?
R: Para Calvino, esta imagem é restaurada pela fé e começa na conversão. É a nossa conformação com a pessoa de Cristo. Isto é uma obra da graça de Deus que se inicia na regeneração e progressivamente termina na glorificação dos santos.
6 - Quando será completada a renovação da imagem de Deus?
R: Calvino responde: Na vida por vir. Seu explendor pleno será alcançado apenas no céu.

Notas
(1) Tertuliano (160-225); Orígenes e Clemente de Alexandria (Ver Hoekema: Criados á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999), 46-8
(2) Santo Agostinho, citado por Hoekema, op cit, p. 98
(3) L. Berkhof, Teologia Sistemática (São Paulo: Luz para o Caminho, 1990), 206
(4) Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho testamento (Luz para o caminho: Campinas) 1995
(5) Extraído adaptado de Apostila do Dr. Héber C. de Campos.
(6) As Institutas, I, XV, 3
(7) Anthony Hoekema - Criados Á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã , 1999), 108
(8) João Calvino, Comentário de I Coríntios , (Edições Paracletos, São Paulo, 1996), 488
(9) F. F. Bruce, citado por Geoffrey B. Wilson, Romanos - Um Resumo de Pensamento Reformado, (SP - PES) 130
(10) G.C.Berkouwer, Man, The image of God, p. 107

Autor: Pr. Iranildo Dos Santos Tomé
www.estudosgospel.com.br/estudo-biblico-evangelico-diversos/a-imagem-de-deus.html

domingo, 21 de outubro de 2018

SOBRE O MUNDO VINDOURO



             CREMOS, professamos e ensinamos que existe um mundo vindouro para os salvos e para os condenados e que, depois do Milênio, virá o Juízo Final, conhecido como o Grande Trono Branco: “E vi um grande trono branco” (Ap 20.11). Após esse julgamento, virão o novo céu e a nova terra e a Nova Jerusalém.
1.   O Juízo Final.
A Bíblia fala sobre duas ressurreições, a dos justos e a dos injustos, mas ambas não serão simultâneas. Deus instaurará esse juízo após a última rebelião de Satanás, que acontecerá após os mil anos do Reinado de Cristo. Ficarão de fora desse juízo os crentes provenientes da era da Igreja e os mártires da Grande Tribulação, pois eles serão parte do Reino de Cristo e estarão com o corpo glorificado. Já “os outros mortos”, aqueles que não fizeram parte da primeira ressurreição, “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Ap 20.5), serão ressuscitados nessa ocasião para julgamento. A base primordial do Juízo Final é a justiça perfeita e inquestionável de Deus: “Deus é um juiz justo” (Sl 7.11); “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). O Senhor Jesus disse: “o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo 5.22). Assim, Deus executará esse juízo por meio de Jesus Cristo.
2.   Os livros do julgamento.
 Muitos livros serão abertos, e todos os “outros mortos” serão julgados pelas coisas escritas nesses livros. Serão pessoas de todas as classes sociais; os “grandes e pequenos” não dizem respeito à idade, crianças e adultos, mas a status. O Juízo Final não fala sobre vivos: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” (Ap 20.12). Nos livros, estão os registros divinos de todos os pecados públicos e particulares. O julgamento será com base nas obras registradas nesses livros. O Livro da Vida mostra que esses réus não constam nele: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.15). É o dia da morte: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.14). Ela é o último inimigo a ser aniquilado: “Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Co 15.26); “Tragada foi a morte na vitória” (1 Co 15.54). O Lago de Fogo ou “ardente lago de fogo e enxofre” (Ap 19.20) é um lugar preparado para o Diabo e seus anjos.  O Lago de Fogo será também o destino final dos perdidos por causa da sua incredulidade e desobediência, pois a vontade de Deus é que ninguém se perca, mas que todos sejam salvos.
3.   A ressurreição dos mortos.
 Ressurreição significa levantar dentre os mortos, voltar a viver no mesmo corpo. A doutrina da ressurreição dos mortos é uma verdade bíblica cristalina, ensinada na Lei de Moisés, nos Profetas e com abundância de detalhes no Novo Testamento. Os saduceus, grupo religioso de Israel nos dias do ministério terreno de Jesus, negavam essa doutrina. Os incrédulos rejeitam essa doutrina ainda hoje. A morte é inevitável, mas, desde o Antigo Testamento, temos promessas de Deus da nossa libertação dela: “Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Sl 49.15). A ressurreição de Jesus é a garantia de que seremos ressuscitados: “se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele” (1 Ts 4.14). Trata-se de uma ressurreição corporal: “aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11). Nosso corpo será transformado como o corpo glorificado de nosso Senhor Jesus Cristo: “esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.20,21). Essa ressurreição é a nossa esperança de salvação e de vida eterna, porque o nosso Salvador é vivo: “porque eu vivo, e vós vivereis” (Jo 14.19). Os incrédulos serão também ressuscitados. Jesus disse: “porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5.28,29). Isso inclui salvos e condenados: “há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos” (At 24.15). É verdade que os mortos salvos já estão com o Senhor Jesus, mas a ressurreição será necessária, pois ela representa a vitória completa e esmagadora de Cristo sobre a morte e o Diabo. Por essa razão, nada de nosso corpo mortal poderá ficar na sepultura.
4.   O destino dos condenados.
O destino dos incrédulos é a condenação eterna no Inferno. As Escrituras Sagradas revelam que o Inferno é “o lugar preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41); o lugar para o qual é destinada a alma dos ímpios e de todos os que rejeitam o plano de Deus para sua salvação. A palavra “inferno” vem do latim infernus, que significa “lugar inferior”. Foi usada por Jerônimo, na Vulgata Latina, para traduzir do hebraico a palavra sheol, no Antigo Testamento, e do grego, as palavras hades e geenna, entre outros termos no Novo Testamento. a) Sheol e Hades. Sheol é um termo hebraico e significa “mundo invisível” (Sl 89.48); é “o lugar invisível dos mortos” ou “habitação dos mortos”. O fato de Sheol e sepultura serem lugares profundos e invisíveis aos olhos humanos justifica, às vezes, as diversas traduções do termo, como inferno, sepultura, sepulcro e profundeza. A Septuaginta traduz essa palavra por Hades. Hades é o estado intermediário dos mortos; não é, ainda, o Inferno propriamente dito, e sim o estágio intermediário dos mortos sem Cristo. Trata-se de uma prisão temporária até que venha o dia do juízo. Os condenados que partiram deste mundo estão lá, conscientes e em tormentos, sabendo perfeitamente o porquê de estarem naquele lugar. O Hades, como ideia de lugar ardente de tormentos para os iníquos, encontra-se somente uma vez, na passagem do rico e Lázaro: “E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos [...] porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.23,24). b) Geena. É a forma grega da expressão hebraica gei-hinnom, “vale de Hinom”, da qual se originou o termo grego geenna. Segundo a descrição bíblica, era o nome de um vale localizado no sul de Jerusalém. Nele, crianças eram sacrificadas em rituais pagãos num lugar chamado “Tofete”, que significa “altar”, lugar onde alguns reis de Israel — dentre eles, o rei Salomão — sacrificavam a ídolos. O rei Josias, porém, realizou uma devassa no local, fazendo dele um lugar de lixo. Mundo judaico contemporâneo de Jesus cria que Geena era o lugar onde os ímpios receberiam como castigo o sofrimento eterno. O termo é traduzido por “inferno” onde aparece nos evangelhos: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.33).  O lugar indica o lago de fogo apocalíptico, onde serão lançados a besta e o falso profeta: “Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19.20) e aqueles cujos nomes não estão no livro da vida: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.15). c) Outros nomes para indicar o inferno. Na Bíblia, há outras expressões para designar o lugar da maldição eterna. O Tártaro é também traduzido por “inferno”: “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o Juízo” (2 Pe 2.4). Há, ainda, muitas outras formas usadas para o lugar de suplício eterno, como abismo, fornalha de fogo, trevas exteriores,fogo eterno, vergonha e desprezo eterno e tormento eterno. Esse é o castigo eterno, também chamado de “fogo que nunca se apagará”.
5.   O novo céu e a nova terra.
É o destino final dos salvos: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). O céu e a terra que conhecemos desaparecerão para darem lugar a uma nova criação. Isso é anunciado desde o Antigo Testamento29 e é ratificado no Novo. O próprio Senhor Jesus Cristo confirmou essa palavra profética: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). A promessa divina de que a terra permanece para sempre significa que sempre haverá uma terra, mas não necessariamente a mesma. A palavra profética também anuncia um novo céu e uma nova terra. Quando for instalado o juízo do Grande Trono Branco, o céu e a terra deixarão de existir: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” (Ap 20.11). Trata-se de uma fase preparatória para o estabelecimento do novo céu e da nova terra. A terra contaminada pelo pecado não resistirá ao esplendor da presença  de Deus; o universo físico não se susterá diante da pureza, santidade e glória daquEle que está assentado sobre o trono. E o fato de a morte e o Inferno serem lançados no Lago de Fogo indica que, no novo céu e na nova terra, não haverá morte nem condenação.
6.   A nova Jerusalém.
O novo céu e a nova terra não são a terra paradisíaca do Milênio, nem a “Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu” (Ap 21.2); é a Jerusalém milenial. Estamos, aqui, num período pós-milênio. Temos, aqui, “a Jerusalém que é de cima” (Gl 4.26), a “Jerusalém celestial” (Hb 12.22). A nova Jerusalém é quadrada e tem a forma de um cubo que mede 2.200 quilômetros de cumprimento, largura e altura,  feita internamente de ouro transparente,  um tipo de material inexistente na terra. O muro da cidade tem 12 portas, 12 anjos nelas e mais os nomes das 12 tribos de Israel. Nos fundamentos do muro, constam “os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14), e esses fundamentos são adornados com pedras preciosas. A cidade não tem templo, pois o seu templo é Deus e o Cordeiro,  e não necessita de sol nem de lua, pois o resplendor da glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. Na nova Jerusalém, não haverá mais dor, nem tristeza, nem solidão, nem sofrimento: “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4); isso não acontecerá pois o próprio Deus habitará no meio do seu povo.39 É a nossa eterna bem-aventurança, pois o pecado será banido para sempre (Ap 22.3).
            Bibliografia: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé Novembro/2016.