domingo, 26 de agosto de 2018

SOBRE A VERDADEIRA ADORAÇÃO





          CREMOS, professamos e ensinamos que a adoração é serviço sagrado, culto, reverência a Deus por aquilo que Ele é e por suas obras: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Seguimos o modelo bíblico da adoração cristã sem nenhuma representação visual: “Então, o SENHOR vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes semelhança nenhuma” (Dt 4.12). Aqui estão incluídas as coisas que estão nos céus e na terra, como manda o segundo mandamento do Decálogo. Isso se faz necessário considerando, ainda, a reverência a Deus: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Assim, prestamos nossa adoração e nosso louvor em termos espirituais e imateriais sem o uso de imagens de escultura ou de qualquer outro tipo de representação. Entendemos que a adoração é o nosso reconhecimento de que Deus é digno de ser adorado como resposta humana à natureza divina: “o meu coração te disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei” (Sl 27.8).
1.    A adoração pública e coletiva.
Reunimo-nos como corpo de Cristo para a adoração pública ao Deus Trino. Jesus prometeu: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A adoração pública é a atividade de glorificar a Deus em coletividade e serve também para comunhão, despertamento, exortação e edificação da Igreja. Essa adoração pública é realizada com ordem e decência para que os descrentes reconheçam a presença de Deus no culto e para que somente Deus seja adorado no culto da Igreja. Nenhuma prerrogativa é dada a anjos e a seres humanos, pois Deus não divide sua glória com ninguém: “E a minha glória não a darei a outrem” (Is 48.11). Portanto, confessamos que, na adoração pública, a oração, os cânticos, o ofertório, a pregação e o exercício dos dons espirituais na Igreja servem “para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence à glória e poder para todo o sempre. Amém!” (1 Pe 4.11). Entendemos que a adoração pública é um encontro com Deus para um diálogo: nós conversamos com Ele por meio de nossas orações, cânticos e ofertas, e Deus fala conosco por meio de sua Palavra (pregação e ensino) e das manifestações dos dons espirituais.
2.    A adoração individual.
Nós adoramos a Deus como crentes individualmente e em todo o tempo: “a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.23). Ensinamos que a verdadeira adoração é aquela que nasce no coração e é expressa com obediência à vontade de Deus, sendo percebida pelo testemunho individual que glorifica ao Senhor da Igreja. Negamos que a adoração e a espiritualidade de alguém possam ser medidas, percebidas ou avaliadas exclusivamente pelo exercício dos dons espirituais. Ensinamos que a adoração é uma atividade espiritual e precisa ser efetuada pelo poder e fruto do Espírito Santo na formação do caráter cristão na vida do adorador. Rejeitamos a hipocrisia e toda a aparência de piedade na vida do adorador. Na adoração individual, buscamos a santificação pessoal, servindo a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor.
3.    Os elementos do culto.
 Havia diversos elementos na adoração nos tempos do Antigo Testamento, como oração, sacrifício, oferta, louvor e cântico. Fazia parte da liturgia judaica nas sinagogas do primeiro século d.C . A oração antífona do Shema.Observsação: Antífona é uma melodia curta, executada em canto gregoriano, antes e depois da recitação de um Salmo.[1] A Antífona geralmente é composta de cânticos curtos, com texto entre dez e vinte e cinco palavras e de melodias simples.[2] “ouve”, a confissão de fé dos judeus, a leitura bíblica e a exortação. A leitura do Shemá é um mandamento positivo da Torá que deve ser cumprido duas vezes ao dia: pela manhã na prece de Shacharit e após o anoitecer na prece de Arvit. Uma vez que o Shemá da manhã deve ser lido no primeiro quarto do dia, é aconselhável lê-lo logo após as Bênçãos Matinais, antes da prece de Shacharit para não atrasar este horário (e durante a prece de Shacharit, o Shemá será lido novamente na seqüência normal da prece).

O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deut. 6:4-9; 11:13-21; e Núm. 15:37-41) que devem ser lidos cuidado-samente e sem interrupção, seja por palavras, seja por gestos. Os homens costumam beijar os tsitsit “vestimenta”,  Os judeus utilizam hoje apenas tzitzit brancas, já que crêem que não seja possível obter a cor azul obrigatória do mandamento. é o nome dado à franjas do talit, que servem como meio de lembrança dos mandamentos de Deus. (na leitura do Shemá de dia) cada vez que mencionam esta palavra no meio do terceiro parágrafo do Shemá e também na última palavra ("emet").

Cobrem-se os olhos com a mão direita ao recitar o primeiro versículo do Shemá para maior concentração. Ao pronunciar o nome de D’us ("A-do-nai"), deve-se ter em mente que Ele é Eterno, i.e., existe, existiu e existirá. A última palavra do primeiro versículo ("Echad"), composta de três letras hebraicas, deve ser pronunciada com ênfase especial, enquanto se reflete sobre seu significado: a primeira letra, alef, com valor numérico 1, diz respeito ao D’us Único; a segunda, chet, com valor numérico 8, significa que Ele tem soberania absoluta sobre os Sete Céus e a Terra; a terceira, dalet, com valor numérico 4, lembra que Ele também domina os quatro pontos cardeais.

No final do terceiro trecho, as três últimas palavras antes de "emet" são repetidas somente quando a pessoa reza sem minyan.
 4. liturgia no Novo Testamento
É simples e pentecostal, conforme o modelo do Novo Testamento: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26). Ela consiste em oração, louvor, leitura bíblica, exposição das Escrituras Sagradas ou testemunho e contribuição financeira, ou seja, ofertas e dízimos. Entendemos que a adoração está incompleta na falta de pelo menos um desses elementos, exceto se as circunstâncias forem desfavoráveis ou contrárias.
4.    A oração.
Oração é o ato consciente, pelo qual a pessoa dirige-se a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por meio de palavra ou pensamento. Temos diversas reuniões de oração, e  também é nosso hábito a vida de oração: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). Nessa oração individual e privativa ou congregacional, apresentamos a Deus nossa gratidão e nossas petições. Cremos no poder da oração: “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16). Oramos pelas famílias, em favor de nossos pastores e líderes, pelos missionários, pela salvação de todas as pessoas e em favor das autoridades constituídas, pela nação de Israel e Jerusalém, em favor dos enfermos, pelos presos e por diversos tipos de milagres, pois Deus “é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20). É do agrado de Deus a oração dos seus santos; ela é usada metaforicamente como incenso que sobe diante de Deus num incensário.
5.    O Jejum.
O jejum é uma prática frequente entre nós, na vida diária dos crentes individualmente e também em reuniões de culto, com objetivo específico, como acontecia nos tempos bíblicos: “Santificai um jejum, apregoai um dia de proibição, congregai os anciãos e todos os moradores desta terra, na Casa do SENHOR, vosso Deus, e clamai ao SENHOR” (Jl 1.14); “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.2, 3). O jejum bíblico é a abstinência de alimento, acompanhada de uma atitude pessoal de contrição, dedicação e devoção, por certo tempo, com o propósito de afastar-se para buscar a Deus e dedicar-se a Ele de maneira exclusiva. Moisés, Elias e Jesus jejuaram quarenta dias e quarenta noites. Trata-se de um ato voluntário de acordo com a necessidade de cada irmão ou cada irmã, cujo tempo dessa consagração é de decisão pessoal, que envolve horas ou até mesmo dias. O jejum pode ser absoluto ou parcial. É absoluto quando a abstenção envolve não comer e nem beber; nesse caso as Escrituras Sagradas são específicas: “e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos” (Et 4.16). Assim foi o jejum de Saulo de Tarso quando ele encontrou-se com Jesus: “E esteve três dias sem ver, e não comeu, nem bebeu” (At 9.9). O jejum parcial é, geralmente, a abstenção apenas de alimento sólido. O ato de jejuar é sempre acompanhado de oração.

6.    Referência bibliográfica

Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé Novembro/20

sábado, 11 de agosto de 2018

SOBRE O BATISMO EM ÁGUAS



CREMOS, professamos e ensinamos que o batismo em águas é uma ordenança de Cristo para a sua Igreja, dada por ordem específica do Senhor Jesus: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Reconhecemos esse ato como o testemunho público da experiência anterior, o novo nascimento, mediante a qual o crente participa espiritualmente da morte e da ressurreição de Cristo: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.12).
    1.    O batismo em águas.
É um ato importante e repleto de significados espirituais, que é administrado pela Igreja ao crente, mediante arrependimento e confissão de fé, onde quer que o evangelho seja pregado. Nós o efetuamos por imersão do corpo inteiro uma única vez em águas, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. A palavra “batismo” significa “mergulho, imersão”. As evidências do Novo Testamento não deixam dúvida sobre esse procedimento. João Batista batizava em Enom: “porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados” (Jo 3.23). Quando o Senhor Jesus foi batizado, está escrito que, após o ato, ele “saiu logo da água” (Mt 3.16). Não foi diferente no batismo do eunuco da rainha da Etiópia: “e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe” (At 8.38,39). O batismo simboliza a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, deixando claro que se trata de uma prática imersionista: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.4). Trata-se de um ato público de fé no qual, de modo simbólico, sepultamos a vida antiga e ressuscitamos com Cristo para uma nova vida.
2.    A fórmula batismal.
A ordem dada por Jesus foi de batizar “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Cremos e praticamos a fórmula que ele mesmo ordenou. Uma ordem dada por Jesus deve ser cumprida. Sobre a expressão que aparece quatro vezes no Novo Testamento: “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome do Senhor” (At 10.48), significa apenas que o batismo é realizado na autoridade do nome de Jesus.
3.    Batismo não é sinônimo de regeneração.
                                                                                                   O batismo não é salvação; somos salvos pela graça mediante a fé. O   perdão dos pecados está em conexão com o arrependimento que precede o batismo. A frase “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados” (At 2.38) é interpretada erroneamente, muitas vezes, como essencial ao perdão, como fazem as principais seitas unicistas. No sermão seguinte, o apóstolo Pedro nem sequer menciona o batismo; a ênfase é dada ao arrependimento, à conversão e à aceitação de Cristo: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado” (At 3.19,20). O contexto bíblico mostra que o batismo não salva: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16). Não há menção de batismo na segunda cláusula; isso mostra que a simples falta de fé leva à condenação, e não a falta de batismo. Nós fomos batizados porque já somos salvos e não para sermos salvos. João Batista só batizava quem manifestava “frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8; Lc 3.8). Os primeiros candidatos ao batismo recebiam antes a palavra e depois se submetiam ao batismo: “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaram-se quase três mil almas” (At 2.41). Assim sendo, é possível uma salvação sem batismo, como aconteceu com o malfeitor crucificado ao lado do Senhor Jesus; o malfeitor arrependeu-se e não teve tempo para ser batizado. Mas devemos notar que o criminoso salvo, não tinha a opção de receber o batismo por estar prestes a receber sua condenação de morte. Os soldados romanos não iam dar uma pausa no processo para que ele fosse batizado.                    Em situações como essa, em que a pessoa que crê não tem a possibilidade de receber o batismo, sua salvação não está condicionada a ele. Caso contrário sim!                                                 A pessoa que tem 5, 10, 20 anos de cristianismo e nunca se batizou, precisa se preocupar. O Senhor Jesus é extremamente claro e enfático: “Quem crer e for batizado, será salvo”.
O batismo é uma ordenança divina; é, em si, um ato de compromisso e profissão de fé; é um ato público em confirmação daquilo que já possuímos — a salvação pela fé em Jesus.

4.              O Batismo de João
Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Como está escrito no livro das palavras de Isaías, o profeta: “Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. (Lucas 3:3,4). Antes que Deus se revelasse por meio de seu Filho Jesus, ele enviou João Batista para preparar o caminho de sua chegada.(Atos 19:4).
João Batista fez isso por meio de uma pregação expositiva e transparente dos mandamentos de Deus, denunciando de forma aberta e enérgica os pecados de seus dias.
Assim, as multidões vieram a João Batista perguntando: “O que devemos fazer então? “ (Lucas 3.10).

5.              O batismo infantil.

Não aceitamos nem praticamos o batismo infantil por não haver exemplo de batismo de crianças nas Escrituras e por não ser o batismo um meio da graça salvadora, ou sinal e selo da aliança, que substitui a circuncisão dos israelitas. Também por não ser possível à criança ter consciência de pecado, condição necessária para que ocorra arrependimento. Sobre a circuncisão, o pensamento cristão bíblico é: “em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl 6.15). Cremos e ensinamos que o batismo é apenas para os que primeiramente se arrependem dos seus pecados e creem em Jesus, sendo também necessário pedir para ser batizado: “Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (At 8.36-38). Assim, os candidatos ao batismo precisam exercer o arrependimento e a fé. O Novo Testamento mostra o batismo posterior à fé. Isso é visto no dia de Pentecostes e na campanha evangelística de Filipe em Samaria: “como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres” (At 8.12). Esses fatos não deixam margem para o batismo infantil. Por nascerem (as crianças) com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus. Já vimos que a função do batismo nas águas é para arrependimento e remissão de pecados. Têm as crianças consciência de pecado? Vejamos o que diz o Senhor Jesus Cristo:
O povo também estava trazendo criancinhas para que Jesus tocasse nelas. Ao verem isto, os discípulos repreendiam os que as tinham trazido. Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”. (Lucas 18:15-17)
Jesus dá passe livre as crianças no Reino dos Céus. Os discípulos quiseram impedir sua vinda até o Mestre, mas ele os repreendeu. Ele garante que qualquer que quiser entrar no Reino precisa ser como elas.
Em nenhum momento ele faz menção de que crianças devam ser batizadas. Não indica que elas tenham pecado, pelo contrário ele destaca a pureza delas.
Embora o pecado de Adão tenha manchado toda a humanidade, a culpa pelo pecado só vem após a consciência do pecado, do erro, do certo e do errado.

6.             Conclusão
O batismo é um sacramento da Igreja Cristã, ou seja, indispensável. Estabelecido pelo Senhor Jesus, é o símbolo de confissão pública de fé e arrependimento.
Ele deve ser realizado pela pessoa que entender o princípio da fé e do arrependimento, e que voluntariamente se dispôs a recebê-lo.
Vimos que batizar crianças é única e exclusivamente uma tradição Católica, e não uma orientação bíblica. Seu fundamento é o entendimento pessoal de sua liderança, em fazê-lo.


Referências:www.jesuseabiblia.com/estudos-biblicos/estudo-biblico-sobre-batismo/; Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil -  Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé  - Novembro/2016

sábado, 4 de agosto de 2018

SOBRE A IGREJA



          CREMOS, professamos e ensinamos que a Igreja é a assembleia universal dos santos de todos os lugares e de todas as épocas, cujos nomes estão escritos nos céus: “À universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23). A Igreja foi fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ele mesmo disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Essa pedra é o próprio Cristo: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (At 4.11), tendo a doutrina dos apóstolos por fundamento e Jesus a principal pedra de esquina: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20). Ela, a Igreja, é a coluna e firmeza da verdade. É a comunidade do Senhor. Além de assembleia universal dos crentes em Jesus, o vocábulo “igreja” refere-se a um grupo de crentes em cada localidade geográfica. Ensinamos que a Igreja é una e indivisível: um só corpo, um só Espírito, uma só fé e um só batismo. A Igreja envolve um mistério que não foi revelado no Antigo Testamento, mas que foi manifesto aos santos na nova aliança.
1.    Nomes e títulos.
A palavra “igreja” significa, literalmente, “chamado para fora” e era usada para designar “assembleia” ou “ajuntamento” dos cidadãos de uma localidade na antiguidade grega. Temos uma amostra desse conceito no Novo Testamento. A Igreja é um grupo de pessoas chamado por Cristo para fora do mundo a fim de pertencer a Jesus, ter comunhão com Ele e fazer parte da família espiritual de Deus. Há diversos termos no Novo Testamento para descrever a Igreja. Como figuras ou ilustrações, temos “corpo de Cristo”: “o constituiu como cabeça da igreja que é o seu corpo” (Ef 1.22,23) e “povo de Deus”: “e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Co 6.16). A Igreja também é identificada como noiva de Cristo ou esposa do Cordeiro. Trata-se do mesmo tipo de figura para ilustrar o relacionamento entre Deus e Israel no Antigo Testamento. A intimidade, o amor, a beleza, o gozo e a reciprocidade que o casamento proporciona fazem dele o símbolo da união e do relacionamento entre Cristo e a sua Igreja. Há muitos outros termos, como crentes, santos, eleitos, discípulos e cristãos e Caminho.
2.    Seus membros.
A Igreja é formada por todos aqueles que Deus chamou para fora do mundo, tendo sido esses resgatados da vã maneira de viver por intermédio do precioso sangue de Cristo. A verdadeira Igreja é constituída por todos os fiéis remidos de todas as eras e de todos os lugares, formando o corpo místico de Cristo por meio do Espírito Santo, e cada crente salvo é membro desse corpo. A vida cristã não é solitária; pois nenhum membro vive isolado do corpo: “assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm 12.5); “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também” (1 Co 12.12). A conversão da pessoa leva à comunhão com um grupo de crentes em Jesus. A cabeça da Igreja é Cristo, sendo Ele mesmo o Salvador do corpo e acrescentando ao corpo, ou seja, à Igreja, aqueles que herdam a salvação. Refutamos e repudiamos qualquer outro fundamento da Igreja que não seja Jesus Cristo. Negamos que exista Igreja se Cristo não for glorificado nela e se o Evangelho não for proclamado, crido e obedecido.
3.    Sua eleição.
Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo, segundo a sua presciência. O Senhor estabeleceu um plano de salvação para toda a humanidade: “em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” (Tt 1.2); pois essa é a sua vontade. Assim como Deus não elegeu uma nação já existente, mas preferiu criar uma nova a partir do patriarca Abraão, o Senhor Jesus Cristo, da mesma forma, criou um novo povo formado por judeus e gentios: “o qual de ambos os povos fez um” (Ef 2.14); “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Co 12.13). A nossa eleição vem de Deus: “sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus” (1 Ts 1.4). Na Igreja de Cristo, judeus e gentios são coerdeiros da salvação em um único corpo.
4.    Igreja atuante e triunfante.
A Igreja atuante é aquela que ainda milita na terra, formada por todos aqueles que seguem a Cristo, lutam contra a carne, o mundo, o Diabo, o pecado e a morte. A Igreja triunfante é constituída dos irmãos que já partiram deste mundo, tendo vencido todos os seus inimigos e que agora estão com o Senhor Jesus. Eles e nós pertencemos à mesma Igreja: “do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome” (Ef 3.15). A Igreja atuante emprega armas espirituais no bom combate: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4). Ela permanece firme nessa batalha contra o mal, e isso vai durar até a vinda de Cristo.
5.    As ordenanças da Igreja.
São duas as ordenanças da Igreja: o batismo em águas e a Ceia do Senhor. Rejeitamos o termo “sacramento” e usamos a palavra “ordenança”, do latim ordo, “fileira, ordem”. Tanto o batismo em águas como a Ceia do Senhor foram instituídos por Jesus para que fossem observados pela Igreja. Essas ordenanças não transmitem qualquer poder místico ou graça salvífica, mas são um rito simbólico universal e pessoal que apontam para as verdades centrais da fé cristã. O batismo e a Ceia do Senhor não produzem qualquer mudança espiritual em quem deles participa. Esses rituais são de grande valor, pois são ordens diretas de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo submeteu-se ao batismo de João Batista: “Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu” (Mt 3.14,15). O batismo é um símbolo de nossa união com Cristo e, ao mesmo tempo, a confissão pública dessa união. A Ceia do Senhor é o memorial de sua morte em nosso lugar.
6.    A missão da Igreja.
Entendemos que a função primordial da Igreja é glorificar a Deus: “quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). Isso é feito por meio da adoração, da evangelização, da edificação de seus membros e do trabalho social. A Igreja foi eleita para a adoração e louvor da glória de Deus, recebendo, também, a missão de proclamar o evangelho da salvação ao mundo todo, anunciando que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e que em breve voltará. O evangelho é proclamado a homens e mulheres, sem fazer distinção de raça, língua, cultura ou classe social, pois “o campo é o mundo” (Mt 13.38). Jesus disse: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19 – ARA), “e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Portanto, entendemos que é responsabilidade da Igreja a obra missionária. A edificação é realizada por meio do ensino da Palavra nas reuniões apropriadas da Igreja, como o culto de ensino, da escola bíblica dominical. A Igreja também exerce o ministério de socorro e misericórdia, que inclui o cuidado dos pobres e dos necessitados, e não somente dos seus membros, mas também dos não membros. Enquanto membros da Igreja, somos o sal da terra, proporcionando sabor à vida e evitando a putrefação da sociedade ao combatermos o pecado e a corrupção. A Igreja tem o papel de ser a luz do mundo, e essa luz resplandece por meio de nossas boas obras. Ensinamos que, para a consecução da sua missão, o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no dia de Pentecostes, e Cristo concedeu líderes para servir à Igreja: “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12).
           Referência: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, Casa                          Publicadora das Assembleias de Deus, Declaração de Fé Novembro/2016.




domingo, 22 de julho de 2018

SOBRE A SALVAÇÃO




          CREMOS, professamos e ensinamos que a salvação é o livramento do poder da maldição do pecado, e a restituição do homem à plena comunhão com Deus, a todos os que confessam a Jesus Cristo como seu único Salvador pessoal, precedidos do perdão divino: “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43). Trata-se da restauração do relacionamento do ser humano com Deus por meio de Cristo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2 Co 5.19). Somente a fé na morte expiatória de Jesus e o arrependimento podem remir o pecador e levá-lo ao Criador. Essa salvação é um ato da graça soberana de Deus pelo mérito de Jesus Cristo e não vem das obras: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Salvação para todas as pessoas.

Um dia, todos os seres humanos comparecerão diante do Senhor e Criador de todas as coisas. Deus, contudo, não deseja a perdição de ninguém: “que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Por isso, o Pai enviou o seu amado Filho Jesus Cristo para morrer em nosso lugar, providenciando-nos uma salvação eterna, completa e eficaz. O Evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Por conseguinte, a salvação está disponível a todos os que creem. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus. O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas, sim, almeja que todos, arrependendo-se, convertam-se de seus maus caminhos: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus, estando relacionada à presciência de Deus. Portanto, a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do Evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador pessoal e perseveram até o fim. A predestinação do crente leva-o a ser conforme a imagem de Cristo; assim sendo, todos somos exortados a perseverar até o fim: “aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24.13). A graça de Deus é manifestada salvadoramente maravilhosa, perfeita; entretanto, não é irresistível, pois não são poucos os que, ignorando o Evangelho de Cristo, resistem ao Espírito da graça. A graça divina tanto salva quanto nos preserva a alma neste mundo corrupto e corruptor. A fé antecede a regeneração: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8); “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16); “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

A natureza da salvação.
         
          A salvação é-nos oferecida pela graça mediante a fé no sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Ela é eterna, completa e eficaz. A salvação em Jesus Cristo não é um mero assentimento intelectual, e sim um renascimento espiritual que se dá na vida do pecador arrependido. No ato da aceitação, o pecador é imediata e simultaneamente salvo, justificado e adotado como filho de Deus. A partir daí, entra no processo de santificação até a sua glorificação final no dia de Cristo. Entendemos que o salvo é o pecador que Cristo resgatou das trevas e libertou do pecado e da morte espiritual e que agora está livre da condenação eterna: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1,2). Perdão é a absolvição de uma dívida e a remissão de um castigo. Justificação é um ato da graça de Deus, o Supremo Juiz, pelo qual a justiça de Cristo é imputada a todo aquele que crê em Jesus declarando-o justo. O primeiro resultado da justificação é a paz com Deus: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Juntamente com a salvação e a justificação, o pecador arrependido recebe a adoção de filho de Deus. A partir desse momento, terá ele um relacionamento mais íntimo com Deus, invocando-o não apenas como Criador, mas principalmente como Pai: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15,16).

Regeneração, santificação e glorificação.
         
          Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Essa obra é também conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo e nascer do Espírito. Trata se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador. Ensinamos que, já salvo, justificado e adotado como filho de Deus, o novo crente entra, de imediato, no processo de santificação, pois assim o requer a sua nova natureza em Cristo: “agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22); “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição” (1 Ts 4.3). Todos os crentes em Jesus são chamados santos. Santificação é o ato de separar-se do pecado e dedicar-se a Deus. Ele exige santidade de seus filhos: “como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15,16); pois sem a santificação ninguém verá o Senhor: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). A glorificação é a derradeira etapa de nossa salvação em Cristo Jesus: “e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Trata-se de uma promessa da futura transformação de nosso corpo mortal.
         
          O destino dos salvos.

          O céu é o trono de Deus, mas também é a pátria de todos os salvos. A condição no céu será de perfeita experiência da presença de Deus, pois é lugar de perfeita santidade, gozo, alegria sem fim e da perfeita felicidade. O livro de Apocalipse descreve alguns vislumbres dessa morada eterna dos que amam a Deus. Jesus ensinou que o céu é para os que creem em seu nome. Ele disse: “[...] credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14.1,2). Nessa promessa, repousa a esperança dos santos. Os salvos são peregrinos e estrangeiros na terra. A pátria definitiva dos remidos é o céu, e estes aguardam o dia em que o Senhor Jesus virá buscá-los para estar juntamente com Ele. O céu é o destino da Igreja. Jesus disse: “para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14.3).

          A graça de Deus.

          Cremos que todos os homens e mulheres foram atingidos pelo pecado a tal ponto que, embora tenham sido feitos à imagem de Deus, não podem, por si mesmos, chegar a Deus. Não há nada que o homem natural possua ou pratique que lhe faça merecida a graça de Deus. A Bíblia ensina: “Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus” (Rm 3.11). A Bíblia qualifica essa condição espiritual como “mortos em pecado” (Cl 2.13) e “mortos em ofensas” (Ef 2.5). A ideia de morte, aqui, é de separação, e não de aniquilamento. Deus derrama sua graça, sem a qual o homem não pode entender as coisas espirituais, ou seja, foi Deus quem tomou a iniciativa na salvação, “do SENHOR vem a salvação” (Jn 2.9), agindo em favor das pessoas. Graça é um favor imerecido. É por meio da graça que Deus capacita o ser humano para que ele responda com fé ao chamado do evangelho: “Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11.6). Todavia, os seres humanos, influenciados pela graça que habilita a livre escolha, são livres para escolher: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7.17). Deus proveu a salvação para todas as pessoas, mas essa salvação aplica-se somente àquelas que creem: “isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem” (Rm 3.22). Nesse sentido, não há conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana.

          Referência: Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil - Casa Publicadora das Assembléias de Deus - Declaração de Fé /Novembro/2016


domingo, 8 de julho de 2018

SOBRE O PECADO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

CREMOS
  Professamos e ensinamos que o pecado é a transgressão da Lei de Deus: “porque o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4 – ARA), ou seja, a quebra do relacionamento do ser humano com Deus. Há diversos conceitos bíblicos tanto para designar o pecado, tais como rebelião e desobediência, como suas consequências, quais sejam: incapacidade espiritual, falta de conformidade com a vontade de Deus em estado, disposição ou conduta e corrupção inata dos seres humanos: “não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque” (Ec 7.20); “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Atanásio, um dos pais da Igreja, dizia que o pecado é a introdução dentro da criação de um elemento desintegrador que conduz à destruição e que somente pode ser expelido por meio de uma nova criação. Daí, a necessidade do novo nascimento. A universalidade do pecado é confirmada em toda a Bíblia e comprovada pela própria experiência humana.
1.   Nomes.
São dois os termos genéricos para “pecado”. Um deles aparece em hebraico no Antigo Testamento; é o substantivo chatá, “o pecado jaz à porta” (Gn 4.7), cuja ideia básica é “errar o alvo”, do qual deriva o verbo: “todos atiravam com a funda uma pedra a um cabelo e não erravam” (Jz 20.16); “E erra o alvo quem é precipitado” (Pv 19.2 – TB). O segundo termo é o seu correspondente grego hamartia, que, embora sem conotação moral no grego clássico secular, aparece com tal sentido na Septuaginta e no Novo Testamento: “todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens” (Mt 12.31). O pecador erra o alvo ou o objetivo da vida que Deus coloca diante dele. Há, ainda, inúmeras outras palavras que expressam o pecado, como transgressão, impiedade, maldade, perversidade, engano, sedução, iniquidade, injustiça e incredulidade.
2.   Sua origem.
O pecado já existia mesmo antes da criação de Adão e Eva. Originou-se no coração de um querubim ungido, que, juntamente com um grupo de anjos, rebelou-se contra Deus, razão pela qual os insurgentes foram expulsos do céu. O querubim ungido tornou-se Satanás, que quer dizer “inimigo”, sendo, também, denominado Diabo, nome que significa “caluniador”. Quanto aos anjos que se rebelaram, tornaram-se demônios. Entendemos que a primeira manifestação do pecado aconteceu na esfera angelical. O pecado não é causado por Deus: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Deus está longe de toda impiedade e injustiça: “Longe de Deus a impiedade, e do Todo poderoso, a perversidade!” (Jó 34.10); “e não há nele injustiça” (Dt 32.4; Sl 92.15). As pessoas são tentadas quando atraídas e enganadas pela própria cobiça. Quando a cobiça é concebida, dá à luz o pecado. Eva foi seduzida e enganada. A tentação envolve indução externa e mais os desejos da carne pelas coisas proibidas por Deus.
3.   A Queda no Éden.
A “queda do homem” é uma expressão teológica para designar o momento em que o pecado entrou no mundo por meio do primeiro casal, Adão e Eva: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo” (Rm 5.12). Os dois foram criados em total inocência e não conheciam o mal antes de desobedecerem a Deus. Foi dada a Adão a ordem de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17); ele, contudo, podia comer livremente de toda a árvore do jardim. O casal desobedeceu a Deus, pois a serpente, identificada em Apocalipse como diabo e Satanás, entrou em cena e enganou Eva. E foi assim que a humanidade conheceu experimentalmente o mal: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).
4.   O pecado original.
Adão não foi criado impecável, nem pecaminoso, mas, sim, perfeito: “Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec 7.29). Deus dotou Adão do livre-arbítrio, com o qual ele era capaz tanto de obedecer quanto de desobedecer ao Criador. Ele escolheu desobedecer a Deus, e a sua queda arruinou toda a humanidade, distanciando-a de Deus: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A iniquidade de Adão, a qual nós  chamamos de pecado original, contaminou toda a raça humana; em consequência disso, a humanidade tornou-se universal e totalmente degenerada, pois todos os seus descendentes nascem em pecado; todos nascemos em transgressão. Deus, entretanto, prometeu o Redentor ainda no jardim do Éden, quando anunciou a vinda da “semente da mulher” para esmagar a cabeça da serpente. Apesar de corrompida pelo pecado, a natureza humana pode ser eficazmente regenerada por Cristo: “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17); “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10); o nosso corpo pode ser o templo do Espírito Santo.
5.   Consequências da Queda.
O relato bíblico revela que o senso de culpa foi instantâneo. Adão e Eva morreram espiritualmente no mesmo momento em que comeram o fruto proibido, pois a comunhão com Deus foi interrompida de imediato. Morte significa separação, e o pecado separou os seres humanos de Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). Os olhos do casal foram abertos, e logo ambos perceberam que estavam nus; tendo conhecido pessoalmente o mal, procuraram esconder-se da presença de Deus porque sentiram medo. O juízo divino veio sobre a serpente, sobre a mulher e sobre o homem. Toda a raça humana e a própria natureza sofrem as consequências funestas do primeiro pecado humano seguido do justo juízo pronunciado por Deus, pois um Deus santo tinha de julgar a desobediência de suas criaturas.
6.   A corrupção total do gênero humano.
A Queda no Éden arruinou toda a humanidade tão profundamente que transmitiu a todos os seres humanos a tendência ou inclinação para o pecado. Não somente isso, contaminou toda a humanidade: “não há um justo sequer” (Rm 3.10); “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A natureza moral foi corrompida, e o coração humano tornou-se enganoso e perverso. Todas as pessoas estão mortas em ofensas e pecados; são inimigas de Deus e escravas do pecado. A corrupção do gênero humano atingiu o homem em toda a sua composição — corpo, alma e espírito, conforme lemos em Isaías: “Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã” (1.5,6). Isso prejudicou todas as suas faculdades, quais sejam: intelecto, emoção, vontade, consciência, razão e liberdade. Portanto, o homem por si mesmo não consegue voltar-se para Deus sem o auxílio da graça divina. Apesar de tudo, a imagem de Deus no homem não foi aniquilada; foi, no entanto, desfigurada a tal ponto que a sua restauração só é possível em Cristo. Jesus reconheceu algumas qualidades no moço rico e até mesmo nos fariseus. Todos nós conhecemos descrentes que são pessoas de bem, honestas e de bom caráter e religiosas, como o centurião de Cafarnaum, ainda que o bem social que elas praticam leve a marca da contaminação do pecado.
7.   A situação dos recém-nascidos e das crianças.
Até os bebês recém-nascidos e as demais crianças  que ainda não conheceram experimentalmente o pecado já possuem uma natureza pecaminosa. O Senhor Jesus, porém, quando se referiu à situação das crianças, afirmou que das tais é o Reino de Deus: “Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14). Em relação à responsabilidade pessoal, considerando que algumas crianças desenvolvem-se no aspecto moral mais cedo que outras, e que a Bíblia não define, para isso, uma idade, não é possível atribuir-lhes culpa até que elas façam bem ou mal conscientemente. Entendemos que a obra da redenção realizada pelo Senhor Jesus em favor de todas as pessoas proveu salvação aos que vierem a falecer em tenra idade: “porque dos tais é o Reino dos Deus” (Mc 10.14). Entendemos, com base nessas palavras, que as crianças não serão condenadas e nem estarão perdidas caso morram antes de terem condições morais e intelectuais de poderem responder conscientemente ao “dom gratuito de Deus” (Rm 6.23). O Senhor Jesus apresentou as crianças como exemplo de quem herda o Reino de Deus.
8.   A relação do pecado de Adão com a pecaminosidade humana.
O pecado original, no sentido estrito da palavra, diz respeito à primeira transgressão do ser humano à Lei de Deus. É, no entanto, usado geralmente para designar a pecaminosidade universal e hereditária do gênero humano desde a queda de Adão. O pecado de Adão afetou toda a raça humana: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). O ensino paulino fundamenta-se nas Escrituras do Antigo Testamento que descreve a corrupção geral da humanidade. O apóstolo Paulo, por revelação divina, desenvolveu esse pensamento tornando tal doutrina mais clara. Seu ensino é de que a morte originou-se na raça humana por causa do pecado de Adão: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19). Isso esclarece a razão pela qual “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Como a morte é universal, aí está a evidência incontestável da universalidade do pecado. E assim temos a triste realidade: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Quando, porém, somos advertidos de que a morte é consequência do pecado, o apóstolo imediatamente apresenta a tranquilizadora mensagem: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).
9.   A morte.
A morte é uma das consequências primárias do pecado, sua punição e castigo. Por essa razão, o mundo inteiro tem de experimentar esse terrível golpe: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9.27). Esse é o resultado do pecado original de Adão. O ser humano não foi destinado para a morte, mas para a vida; Adão não teria morrido se tivesse vencido a tentação. A morte espiritual é o atual estado do pecador sem Cristo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Quem recebe a Jesus como seu salvador pessoal passa da morte para a vida: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). A morte eterna é uma extensão da morte espiritual para os que rejeitarem a vida eterna em Jesus. Ela é chamada de segunda morte. A morte foi vencida no Calvário por Cristo, que trouxe a vida aos “que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo” (Rm 5.17). Assim como a morte e o pecado passaram a todos os seres humanos por causa do pecado de um só (Adão), a salvação e a vida eterna, da mesma maneira, são concedidas a todo aquele que nEle crê, pela justiça de um só homem, o Senhor Jesus Cristo: “Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Co 15.21,22).



domingo, 24 de junho de 2018

SOBRE AS CRIATURAS ESPIRITUAIS


                         
             
               
             CREMOS, professamos e ensinamos que os anjos são uma ordem sobrenatural de seres celestiais criados por Deus antes da fundação do mundo. Que eles são seres espirituais: “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). O termo “anjo” significa “mensageiro”; nas línguas originais, hebraico e grego, era usado para designar seres celestiais, seres terrestres, como os humanos e também para designar os anjos maus. Os anjos são organizados em milícias espirituais que povoam os céus: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo” (Lc 2.13). Eles não são meras figuras de retórica, nem emanações cósmicas, mas são reais e habitam os céus. Jesus disse: “os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). De todas as criaturas, os anjos e os homens possuem uma natureza racional e espiritual que os torna superiores às demais criaturas irracionais.
1.    Seus nomes.
No Antigo Testamento, os anjos são chamados de “santos”: “resplandeceu desde o monte Parã e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei” (Dt 33.2); vigia ou vigilante: “e eis que um vigia, um santo, descia do céu” (Dn 4.13); exército ou exércitos: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos” (Sl 148.2); anjos, tronos, dominações, principados, potestades: “todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades” (Cl 1.16). Entendemos que esses seres espirituais podem ser bons ou maus. O Anjo do SENHOR no Antigo Testamento é, muitas vezes, identificado com o próprio Deus, pois Deus manifesta-se também na forma angelical. Às vezes, porém, é distinto dele, pois Deus fala com o anjo do Senhor, e o anjo do Senhor fala com Deus. Esse anjo do Senhor também aparece no Antigo Testamento como uma manifestação pré-encarnada de Jesus.
2.    Sua natureza.
Os anjos são criaturas espirituais com poderes extraordinários: “Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em poder” (Sl 103.20); estão acima dos seres humanos: “Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder” (2 Pe 2.11); tem status superior aos humanos, além de mais conhecimento. Todavia, não são ilimitados, pois são criaturas e não conheciam os planos eternos de Deus. Eles não são oniscientes. Eles recusam adoração; antes, adoram a Deus e a Cristo. Os anjos são seres espirituais e invisíveis aos olhos humanos, mas podem manifestar-se de forma visível de acordo com a vontade de Deus. Eles não possuem corpo físico ou material, porém são apresentados como seres pessoais e morais. Suas aparições em forma humana são aparências assumidas ocasionalmente em forma angelofânica. Existem grandes multidões de anjos no céu, mas apenas Gabriel e Miguel são identificados por nome na Bíblia. Os anjos não estão sujeitos à morte e jamais deixarão de existir, mas também não se reproduzem.
3.    Seus ofícios.
Os anjos são obedientes a Deus: “anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra” (Sl 103.20). Eles louvam e glorificam a Deus tanto no céu  como na terra, assim como aconteceu por ocasião do nascimento de Jesus. Eles intermediaram a entrega da Lei no Monte Sinai. Estão presentes nos cultos e observam a nossa vida. Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus. Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor Jesus. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor Jesus Cristo. Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de Jesus e estiveram presentes na sua ascensão. Os anjos estão associados à vinda de Cristo, pois eles acompanharão o Senhor Jesus na sua volta, que enviará os seus anjos para separar o trigo do joio e para ajuntar os escolhidos no fim dos tempos: “E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt 24.31). Eles trabalham a favor dos que temem a Deus: um anjo livrou os apóstolos da prisão; disse  a Filipe para ir ao deserto e levou uma mensagem de Deus para Cornélio. A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e as servas de Deus em suas lutas e dificuldades. São eles que transportam os salvos ao seu destino final na sua morte.
4.    O anjo da guarda.
A ideia de que todas as pessoas possuem um anjo da guarda designado para acompanhá-las durante toda a sua vida não tem sustentação bíblica. Tal pensamento vem da tradição judaica antiga; e não é somente isso. Segundo essa tradição, o suposto anjo da guarda assume a semelhança da pessoa que a acompanha. Note que a menina Rode conheceu “a voz de Pedro” (At 12.14); os discípulos, no entanto, interpretaram como o “seu anjo” (At 12.15). Outra passagem bíblica que parece fundamentar a ideia de anjo da guarda é: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). Aqui, porém, temos a informação de que os anjos estão na presença de Deus, adorando e louvando ao Pai, e não que cuidam individualmente das pessoas neste mundo.

5.    A organização angelical.
Os anjos acham-se organizados de forma hierárquica através de graduações que revelam níveis de autoridade. Essas graduações são percebidas pelo tipo de atividade que os anjos exercem no universo e na presença de Deus. Os arcanjos são maiorais dos anjos, como o prefixo “arc” sugere. Isso indica um ser angelical que exerce um papel de maioral, de príncipe, como um “primeiro-ministro” em governos terrenos. Miguel é um deles, o guardião do povo de Israel. A declaração bíblica “e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes” em Daniel 10.13 mostra que existe uma ordem de arcanjos. Os querubins fazem parte de uma ordem angelical e, no livro do profeta Ezequiel, eles aparecem como criaturas simbólicas na aparência, com características humanas e animais. O termo “querubim”, plural de kerub, na Bíblia Hebraica, vem de um verbo que quer dizer: “bendizer, louvar, adorar”. Eles aparecem pela primeira vez na Bíblia como guardiões do jardim do Éden. Eles, porém, representam a presença, a grandeza e a majestade de Deus. A Bíblia ensina que Deus habita entre os querubins. Os serafins são outra ordem elevada de anjos parecida com os querubins. O termo “serafim” significa “flamejantes, ardentes, brilhantes, refulgentes”. Eles estão diretamente ligados ao serviço de adoração e louvor a Deus.
6.    Os anjos decaídos.
São os que se rebelaram contra Deus. Eles foram criados por Deus e eram originalmente bons e, assim como o ser humano, dotados de livre-arbítrio; porém, sob a direção de Satanás, eles pecaram e rebelaram-se contra Deus, tornando-se maus. São identificados como “espíritos imundos” “espíritos malignos”, “demônios”. Eles são espíritos maus desprovidos de corpos, capazes de possuir corpos humanos e de animais: Satanás, o maioral deles, entrou em Judas Iscariotes; Maria Madalena estava possessa por sete demônios. São as chamadas possessões demoníacas. Os efeitos dessas possessões são evidenciados por loucura com manifestação de força maligna incomum para a autodestruição. Quem está sob influência de um demônio não é senhor de si mesmo, e o espírito imundo leva a pessoa aonde quer e fala pelos seus lábios ou os emudece. Há outras evidências dessas possessões, como mudez e surdez, cegueira e surdez, além de convulsões. Quando a Bíblia fala sobre “espírito de enfermidade”, não está fazendo referência a um tipo de demônio, e sim a uma ação demoníaca que pode provocar uma enfermidade e aprisionar as pessoas. As enfermidades nem sempre são possessão maligna; às vezes, trata-se de um problema de ordem clínica. Jesus disse: “eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã” (Lc 13.32). Há, aqui, distinção entre doença e possessão demoníaca. Apesar de seus poderes sobrenaturais, os demônios nada podem fazer diante do poder de Jesus de Nazaré e nem dos crentes fiéis em Jesus: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18). Além disso, nós recebemos autoridade para expulsá-los em nome de Jesus.

7.    O maioral dos demônios.
Trata-se do inimigo de Deus e dos seres humanos, que a Bíblia chama de Satanás, opositor, Diabo, Inimigo, Belzebu, príncipe dos demônios, Tentador, Grande Dragão, a Antiga Serpente, Pai da mentira, entre outros. Ele foi criado perfeito e era “o selo da simetria e a perfeição da sabedoria e da formosura” (Ez 28.12 – TB), mas o seu orgulho  levou-o a considerar-se igual a Deus: “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). E assim, ele foi expulso do céu: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva!” (Is 14.12). A Vulgata Latina emprega “Lúcifer”, termo latino que significa “portador de luz”, para “filho da alva”. Ele foi expulso do céu com a legião de anjos que se rebelou junto com ele. O modus operandi dos demônios e do seu maioral é a mentira, o erro e o engano. A mentira é uma das características da natureza satânica. Jesus disse que o Diabo é o pai da mentira: “[...] ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Com o engano, ele começou as suas atividades contra o ser humano. É com essa arma que ele e seus agentes seduzem as pessoas: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Ap 12.9). O poder de Deus sobre Satanás e seus demônios é total e absoluto. Jesus venceu o Diabo logo no início do seu ministério terreno, e o Reino de Deus foi manifestado também pela expulsão de demônios. Os demônios sabem quem é Jesus e reconhecem que Ele é o Filho de Deus; entretanto, milhões de homens e mulheres ainda não descobriram essa verdade. Esses espíritos imundos conhecem a grandeza do poder de Jesus a ponto de nem mesmo o maioral deles poder confrontá-lo. Jesus disse que Satanás já está julgado: “e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado” (Jo 16.11), aguardando o dia do tormento eterno no lago de fogo, tão temido pelos demônios.

8.    Conclusão
            Esta doutrina, apesar de difícil, é da mais alta importância para o crente em sua vida cotidiana, pois os anjos são exemplos de louvor e ajudadores enviados por Deus. É reconfortante saber que há anjos do Senhor trabalhando para nos proteger dos perigos espirituais que rondam nossas vidas, e termos como exemplo de quão maravilhosa será nossa vida louvando ao Senhor por toda a eternidade

          Bibliografia: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé.