domingo, 22 de julho de 2018

SOBRE A SALVAÇÃO




          CREMOS, professamos e ensinamos que a salvação é o livramento do poder da maldição do pecado, e a restituição do homem à plena comunhão com Deus, a todos os que confessam a Jesus Cristo como seu único Salvador pessoal, precedidos do perdão divino: “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43). Trata-se da restauração do relacionamento do ser humano com Deus por meio de Cristo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2 Co 5.19). Somente a fé na morte expiatória de Jesus e o arrependimento podem remir o pecador e levá-lo ao Criador. Essa salvação é um ato da graça soberana de Deus pelo mérito de Jesus Cristo e não vem das obras: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Salvação para todas as pessoas.

Um dia, todos os seres humanos comparecerão diante do Senhor e Criador de todas as coisas. Deus, contudo, não deseja a perdição de ninguém: “que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Por isso, o Pai enviou o seu amado Filho Jesus Cristo para morrer em nosso lugar, providenciando-nos uma salvação eterna, completa e eficaz. O Evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Por conseguinte, a salvação está disponível a todos os que creem. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus. O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoa alguma à condenação eterna, mas, sim, almeja que todos, arrependendo-se, convertam-se de seus maus caminhos: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada à fé em Cristo Jesus, estando relacionada à presciência de Deus. Portanto, a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do Evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador pessoal e perseveram até o fim. A predestinação do crente leva-o a ser conforme a imagem de Cristo; assim sendo, todos somos exortados a perseverar até o fim: “aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24.13). A graça de Deus é manifestada salvadoramente maravilhosa, perfeita; entretanto, não é irresistível, pois não são poucos os que, ignorando o Evangelho de Cristo, resistem ao Espírito da graça. A graça divina tanto salva quanto nos preserva a alma neste mundo corrupto e corruptor. A fé antecede a regeneração: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8); “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16); “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

A natureza da salvação.
         
          A salvação é-nos oferecida pela graça mediante a fé no sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Ela é eterna, completa e eficaz. A salvação em Jesus Cristo não é um mero assentimento intelectual, e sim um renascimento espiritual que se dá na vida do pecador arrependido. No ato da aceitação, o pecador é imediata e simultaneamente salvo, justificado e adotado como filho de Deus. A partir daí, entra no processo de santificação até a sua glorificação final no dia de Cristo. Entendemos que o salvo é o pecador que Cristo resgatou das trevas e libertou do pecado e da morte espiritual e que agora está livre da condenação eterna: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1,2). Perdão é a absolvição de uma dívida e a remissão de um castigo. Justificação é um ato da graça de Deus, o Supremo Juiz, pelo qual a justiça de Cristo é imputada a todo aquele que crê em Jesus declarando-o justo. O primeiro resultado da justificação é a paz com Deus: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Juntamente com a salvação e a justificação, o pecador arrependido recebe a adoção de filho de Deus. A partir desse momento, terá ele um relacionamento mais íntimo com Deus, invocando-o não apenas como Criador, mas principalmente como Pai: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15,16).

Regeneração, santificação e glorificação.
         
          Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Essa obra é também conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo e nascer do Espírito. Trata se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador. Ensinamos que, já salvo, justificado e adotado como filho de Deus, o novo crente entra, de imediato, no processo de santificação, pois assim o requer a sua nova natureza em Cristo: “agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22); “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição” (1 Ts 4.3). Todos os crentes em Jesus são chamados santos. Santificação é o ato de separar-se do pecado e dedicar-se a Deus. Ele exige santidade de seus filhos: “como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15,16); pois sem a santificação ninguém verá o Senhor: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). A glorificação é a derradeira etapa de nossa salvação em Cristo Jesus: “e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Trata-se de uma promessa da futura transformação de nosso corpo mortal.
         
          O destino dos salvos.

          O céu é o trono de Deus, mas também é a pátria de todos os salvos. A condição no céu será de perfeita experiência da presença de Deus, pois é lugar de perfeita santidade, gozo, alegria sem fim e da perfeita felicidade. O livro de Apocalipse descreve alguns vislumbres dessa morada eterna dos que amam a Deus. Jesus ensinou que o céu é para os que creem em seu nome. Ele disse: “[...] credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14.1,2). Nessa promessa, repousa a esperança dos santos. Os salvos são peregrinos e estrangeiros na terra. A pátria definitiva dos remidos é o céu, e estes aguardam o dia em que o Senhor Jesus virá buscá-los para estar juntamente com Ele. O céu é o destino da Igreja. Jesus disse: “para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14.3).

          A graça de Deus.

          Cremos que todos os homens e mulheres foram atingidos pelo pecado a tal ponto que, embora tenham sido feitos à imagem de Deus, não podem, por si mesmos, chegar a Deus. Não há nada que o homem natural possua ou pratique que lhe faça merecida a graça de Deus. A Bíblia ensina: “Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus” (Rm 3.11). A Bíblia qualifica essa condição espiritual como “mortos em pecado” (Cl 2.13) e “mortos em ofensas” (Ef 2.5). A ideia de morte, aqui, é de separação, e não de aniquilamento. Deus derrama sua graça, sem a qual o homem não pode entender as coisas espirituais, ou seja, foi Deus quem tomou a iniciativa na salvação, “do SENHOR vem a salvação” (Jn 2.9), agindo em favor das pessoas. Graça é um favor imerecido. É por meio da graça que Deus capacita o ser humano para que ele responda com fé ao chamado do evangelho: “Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11.6). Todavia, os seres humanos, influenciados pela graça que habilita a livre escolha, são livres para escolher: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7.17). Deus proveu a salvação para todas as pessoas, mas essa salvação aplica-se somente àquelas que creem: “isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem” (Rm 3.22). Nesse sentido, não há conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana.

          Referência: Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil - Casa Publicadora das Assembléias de Deus - Declaração de Fé /Novembro/2016


domingo, 8 de julho de 2018

SOBRE O PECADO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

CREMOS
  Professamos e ensinamos que o pecado é a transgressão da Lei de Deus: “porque o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4 – ARA), ou seja, a quebra do relacionamento do ser humano com Deus. Há diversos conceitos bíblicos tanto para designar o pecado, tais como rebelião e desobediência, como suas consequências, quais sejam: incapacidade espiritual, falta de conformidade com a vontade de Deus em estado, disposição ou conduta e corrupção inata dos seres humanos: “não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque” (Ec 7.20); “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Atanásio, um dos pais da Igreja, dizia que o pecado é a introdução dentro da criação de um elemento desintegrador que conduz à destruição e que somente pode ser expelido por meio de uma nova criação. Daí, a necessidade do novo nascimento. A universalidade do pecado é confirmada em toda a Bíblia e comprovada pela própria experiência humana.
1.   Nomes.
São dois os termos genéricos para “pecado”. Um deles aparece em hebraico no Antigo Testamento; é o substantivo chatá, “o pecado jaz à porta” (Gn 4.7), cuja ideia básica é “errar o alvo”, do qual deriva o verbo: “todos atiravam com a funda uma pedra a um cabelo e não erravam” (Jz 20.16); “E erra o alvo quem é precipitado” (Pv 19.2 – TB). O segundo termo é o seu correspondente grego hamartia, que, embora sem conotação moral no grego clássico secular, aparece com tal sentido na Septuaginta e no Novo Testamento: “todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens” (Mt 12.31). O pecador erra o alvo ou o objetivo da vida que Deus coloca diante dele. Há, ainda, inúmeras outras palavras que expressam o pecado, como transgressão, impiedade, maldade, perversidade, engano, sedução, iniquidade, injustiça e incredulidade.
2.   Sua origem.
O pecado já existia mesmo antes da criação de Adão e Eva. Originou-se no coração de um querubim ungido, que, juntamente com um grupo de anjos, rebelou-se contra Deus, razão pela qual os insurgentes foram expulsos do céu. O querubim ungido tornou-se Satanás, que quer dizer “inimigo”, sendo, também, denominado Diabo, nome que significa “caluniador”. Quanto aos anjos que se rebelaram, tornaram-se demônios. Entendemos que a primeira manifestação do pecado aconteceu na esfera angelical. O pecado não é causado por Deus: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Deus está longe de toda impiedade e injustiça: “Longe de Deus a impiedade, e do Todo poderoso, a perversidade!” (Jó 34.10); “e não há nele injustiça” (Dt 32.4; Sl 92.15). As pessoas são tentadas quando atraídas e enganadas pela própria cobiça. Quando a cobiça é concebida, dá à luz o pecado. Eva foi seduzida e enganada. A tentação envolve indução externa e mais os desejos da carne pelas coisas proibidas por Deus.
3.   A Queda no Éden.
A “queda do homem” é uma expressão teológica para designar o momento em que o pecado entrou no mundo por meio do primeiro casal, Adão e Eva: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo” (Rm 5.12). Os dois foram criados em total inocência e não conheciam o mal antes de desobedecerem a Deus. Foi dada a Adão a ordem de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17); ele, contudo, podia comer livremente de toda a árvore do jardim. O casal desobedeceu a Deus, pois a serpente, identificada em Apocalipse como diabo e Satanás, entrou em cena e enganou Eva. E foi assim que a humanidade conheceu experimentalmente o mal: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).
4.   O pecado original.
Adão não foi criado impecável, nem pecaminoso, mas, sim, perfeito: “Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec 7.29). Deus dotou Adão do livre-arbítrio, com o qual ele era capaz tanto de obedecer quanto de desobedecer ao Criador. Ele escolheu desobedecer a Deus, e a sua queda arruinou toda a humanidade, distanciando-a de Deus: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A iniquidade de Adão, a qual nós  chamamos de pecado original, contaminou toda a raça humana; em consequência disso, a humanidade tornou-se universal e totalmente degenerada, pois todos os seus descendentes nascem em pecado; todos nascemos em transgressão. Deus, entretanto, prometeu o Redentor ainda no jardim do Éden, quando anunciou a vinda da “semente da mulher” para esmagar a cabeça da serpente. Apesar de corrompida pelo pecado, a natureza humana pode ser eficazmente regenerada por Cristo: “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17); “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10); o nosso corpo pode ser o templo do Espírito Santo.
5.   Consequências da Queda.
O relato bíblico revela que o senso de culpa foi instantâneo. Adão e Eva morreram espiritualmente no mesmo momento em que comeram o fruto proibido, pois a comunhão com Deus foi interrompida de imediato. Morte significa separação, e o pecado separou os seres humanos de Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). Os olhos do casal foram abertos, e logo ambos perceberam que estavam nus; tendo conhecido pessoalmente o mal, procuraram esconder-se da presença de Deus porque sentiram medo. O juízo divino veio sobre a serpente, sobre a mulher e sobre o homem. Toda a raça humana e a própria natureza sofrem as consequências funestas do primeiro pecado humano seguido do justo juízo pronunciado por Deus, pois um Deus santo tinha de julgar a desobediência de suas criaturas.
6.   A corrupção total do gênero humano.
A Queda no Éden arruinou toda a humanidade tão profundamente que transmitiu a todos os seres humanos a tendência ou inclinação para o pecado. Não somente isso, contaminou toda a humanidade: “não há um justo sequer” (Rm 3.10); “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A natureza moral foi corrompida, e o coração humano tornou-se enganoso e perverso. Todas as pessoas estão mortas em ofensas e pecados; são inimigas de Deus e escravas do pecado. A corrupção do gênero humano atingiu o homem em toda a sua composição — corpo, alma e espírito, conforme lemos em Isaías: “Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã” (1.5,6). Isso prejudicou todas as suas faculdades, quais sejam: intelecto, emoção, vontade, consciência, razão e liberdade. Portanto, o homem por si mesmo não consegue voltar-se para Deus sem o auxílio da graça divina. Apesar de tudo, a imagem de Deus no homem não foi aniquilada; foi, no entanto, desfigurada a tal ponto que a sua restauração só é possível em Cristo. Jesus reconheceu algumas qualidades no moço rico e até mesmo nos fariseus. Todos nós conhecemos descrentes que são pessoas de bem, honestas e de bom caráter e religiosas, como o centurião de Cafarnaum, ainda que o bem social que elas praticam leve a marca da contaminação do pecado.
7.   A situação dos recém-nascidos e das crianças.
Até os bebês recém-nascidos e as demais crianças  que ainda não conheceram experimentalmente o pecado já possuem uma natureza pecaminosa. O Senhor Jesus, porém, quando se referiu à situação das crianças, afirmou que das tais é o Reino de Deus: “Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14). Em relação à responsabilidade pessoal, considerando que algumas crianças desenvolvem-se no aspecto moral mais cedo que outras, e que a Bíblia não define, para isso, uma idade, não é possível atribuir-lhes culpa até que elas façam bem ou mal conscientemente. Entendemos que a obra da redenção realizada pelo Senhor Jesus em favor de todas as pessoas proveu salvação aos que vierem a falecer em tenra idade: “porque dos tais é o Reino dos Deus” (Mc 10.14). Entendemos, com base nessas palavras, que as crianças não serão condenadas e nem estarão perdidas caso morram antes de terem condições morais e intelectuais de poderem responder conscientemente ao “dom gratuito de Deus” (Rm 6.23). O Senhor Jesus apresentou as crianças como exemplo de quem herda o Reino de Deus.
8.   A relação do pecado de Adão com a pecaminosidade humana.
O pecado original, no sentido estrito da palavra, diz respeito à primeira transgressão do ser humano à Lei de Deus. É, no entanto, usado geralmente para designar a pecaminosidade universal e hereditária do gênero humano desde a queda de Adão. O pecado de Adão afetou toda a raça humana: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). O ensino paulino fundamenta-se nas Escrituras do Antigo Testamento que descreve a corrupção geral da humanidade. O apóstolo Paulo, por revelação divina, desenvolveu esse pensamento tornando tal doutrina mais clara. Seu ensino é de que a morte originou-se na raça humana por causa do pecado de Adão: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19). Isso esclarece a razão pela qual “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Como a morte é universal, aí está a evidência incontestável da universalidade do pecado. E assim temos a triste realidade: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Quando, porém, somos advertidos de que a morte é consequência do pecado, o apóstolo imediatamente apresenta a tranquilizadora mensagem: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).
9.   A morte.
A morte é uma das consequências primárias do pecado, sua punição e castigo. Por essa razão, o mundo inteiro tem de experimentar esse terrível golpe: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9.27). Esse é o resultado do pecado original de Adão. O ser humano não foi destinado para a morte, mas para a vida; Adão não teria morrido se tivesse vencido a tentação. A morte espiritual é o atual estado do pecador sem Cristo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Quem recebe a Jesus como seu salvador pessoal passa da morte para a vida: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). A morte eterna é uma extensão da morte espiritual para os que rejeitarem a vida eterna em Jesus. Ela é chamada de segunda morte. A morte foi vencida no Calvário por Cristo, que trouxe a vida aos “que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo” (Rm 5.17). Assim como a morte e o pecado passaram a todos os seres humanos por causa do pecado de um só (Adão), a salvação e a vida eterna, da mesma maneira, são concedidas a todo aquele que nEle crê, pela justiça de um só homem, o Senhor Jesus Cristo: “Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Co 15.21,22).



domingo, 24 de junho de 2018

SOBRE AS CRIATURAS ESPIRITUAIS


                         
             
               
             CREMOS, professamos e ensinamos que os anjos são uma ordem sobrenatural de seres celestiais criados por Deus antes da fundação do mundo. Que eles são seres espirituais: “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). O termo “anjo” significa “mensageiro”; nas línguas originais, hebraico e grego, era usado para designar seres celestiais, seres terrestres, como os humanos e também para designar os anjos maus. Os anjos são organizados em milícias espirituais que povoam os céus: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo” (Lc 2.13). Eles não são meras figuras de retórica, nem emanações cósmicas, mas são reais e habitam os céus. Jesus disse: “os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). De todas as criaturas, os anjos e os homens possuem uma natureza racional e espiritual que os torna superiores às demais criaturas irracionais.
1.    Seus nomes.
No Antigo Testamento, os anjos são chamados de “santos”: “resplandeceu desde o monte Parã e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei” (Dt 33.2); vigia ou vigilante: “e eis que um vigia, um santo, descia do céu” (Dn 4.13); exército ou exércitos: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos” (Sl 148.2); anjos, tronos, dominações, principados, potestades: “todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades” (Cl 1.16). Entendemos que esses seres espirituais podem ser bons ou maus. O Anjo do SENHOR no Antigo Testamento é, muitas vezes, identificado com o próprio Deus, pois Deus manifesta-se também na forma angelical. Às vezes, porém, é distinto dele, pois Deus fala com o anjo do Senhor, e o anjo do Senhor fala com Deus. Esse anjo do Senhor também aparece no Antigo Testamento como uma manifestação pré-encarnada de Jesus.
2.    Sua natureza.
Os anjos são criaturas espirituais com poderes extraordinários: “Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em poder” (Sl 103.20); estão acima dos seres humanos: “Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder” (2 Pe 2.11); tem status superior aos humanos, além de mais conhecimento. Todavia, não são ilimitados, pois são criaturas e não conheciam os planos eternos de Deus. Eles não são oniscientes. Eles recusam adoração; antes, adoram a Deus e a Cristo. Os anjos são seres espirituais e invisíveis aos olhos humanos, mas podem manifestar-se de forma visível de acordo com a vontade de Deus. Eles não possuem corpo físico ou material, porém são apresentados como seres pessoais e morais. Suas aparições em forma humana são aparências assumidas ocasionalmente em forma angelofânica. Existem grandes multidões de anjos no céu, mas apenas Gabriel e Miguel são identificados por nome na Bíblia. Os anjos não estão sujeitos à morte e jamais deixarão de existir, mas também não se reproduzem.
3.    Seus ofícios.
Os anjos são obedientes a Deus: “anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra” (Sl 103.20). Eles louvam e glorificam a Deus tanto no céu  como na terra, assim como aconteceu por ocasião do nascimento de Jesus. Eles intermediaram a entrega da Lei no Monte Sinai. Estão presentes nos cultos e observam a nossa vida. Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus. Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor Jesus. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor Jesus Cristo. Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de Jesus e estiveram presentes na sua ascensão. Os anjos estão associados à vinda de Cristo, pois eles acompanharão o Senhor Jesus na sua volta, que enviará os seus anjos para separar o trigo do joio e para ajuntar os escolhidos no fim dos tempos: “E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt 24.31). Eles trabalham a favor dos que temem a Deus: um anjo livrou os apóstolos da prisão; disse  a Filipe para ir ao deserto e levou uma mensagem de Deus para Cornélio. A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e as servas de Deus em suas lutas e dificuldades. São eles que transportam os salvos ao seu destino final na sua morte.
4.    O anjo da guarda.
A ideia de que todas as pessoas possuem um anjo da guarda designado para acompanhá-las durante toda a sua vida não tem sustentação bíblica. Tal pensamento vem da tradição judaica antiga; e não é somente isso. Segundo essa tradição, o suposto anjo da guarda assume a semelhança da pessoa que a acompanha. Note que a menina Rode conheceu “a voz de Pedro” (At 12.14); os discípulos, no entanto, interpretaram como o “seu anjo” (At 12.15). Outra passagem bíblica que parece fundamentar a ideia de anjo da guarda é: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). Aqui, porém, temos a informação de que os anjos estão na presença de Deus, adorando e louvando ao Pai, e não que cuidam individualmente das pessoas neste mundo.

5.    A organização angelical.
Os anjos acham-se organizados de forma hierárquica através de graduações que revelam níveis de autoridade. Essas graduações são percebidas pelo tipo de atividade que os anjos exercem no universo e na presença de Deus. Os arcanjos são maiorais dos anjos, como o prefixo “arc” sugere. Isso indica um ser angelical que exerce um papel de maioral, de príncipe, como um “primeiro-ministro” em governos terrenos. Miguel é um deles, o guardião do povo de Israel. A declaração bíblica “e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes” em Daniel 10.13 mostra que existe uma ordem de arcanjos. Os querubins fazem parte de uma ordem angelical e, no livro do profeta Ezequiel, eles aparecem como criaturas simbólicas na aparência, com características humanas e animais. O termo “querubim”, plural de kerub, na Bíblia Hebraica, vem de um verbo que quer dizer: “bendizer, louvar, adorar”. Eles aparecem pela primeira vez na Bíblia como guardiões do jardim do Éden. Eles, porém, representam a presença, a grandeza e a majestade de Deus. A Bíblia ensina que Deus habita entre os querubins. Os serafins são outra ordem elevada de anjos parecida com os querubins. O termo “serafim” significa “flamejantes, ardentes, brilhantes, refulgentes”. Eles estão diretamente ligados ao serviço de adoração e louvor a Deus.
6.    Os anjos decaídos.
São os que se rebelaram contra Deus. Eles foram criados por Deus e eram originalmente bons e, assim como o ser humano, dotados de livre-arbítrio; porém, sob a direção de Satanás, eles pecaram e rebelaram-se contra Deus, tornando-se maus. São identificados como “espíritos imundos” “espíritos malignos”, “demônios”. Eles são espíritos maus desprovidos de corpos, capazes de possuir corpos humanos e de animais: Satanás, o maioral deles, entrou em Judas Iscariotes; Maria Madalena estava possessa por sete demônios. São as chamadas possessões demoníacas. Os efeitos dessas possessões são evidenciados por loucura com manifestação de força maligna incomum para a autodestruição. Quem está sob influência de um demônio não é senhor de si mesmo, e o espírito imundo leva a pessoa aonde quer e fala pelos seus lábios ou os emudece. Há outras evidências dessas possessões, como mudez e surdez, cegueira e surdez, além de convulsões. Quando a Bíblia fala sobre “espírito de enfermidade”, não está fazendo referência a um tipo de demônio, e sim a uma ação demoníaca que pode provocar uma enfermidade e aprisionar as pessoas. As enfermidades nem sempre são possessão maligna; às vezes, trata-se de um problema de ordem clínica. Jesus disse: “eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã” (Lc 13.32). Há, aqui, distinção entre doença e possessão demoníaca. Apesar de seus poderes sobrenaturais, os demônios nada podem fazer diante do poder de Jesus de Nazaré e nem dos crentes fiéis em Jesus: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18). Além disso, nós recebemos autoridade para expulsá-los em nome de Jesus.

7.    O maioral dos demônios.
Trata-se do inimigo de Deus e dos seres humanos, que a Bíblia chama de Satanás, opositor, Diabo, Inimigo, Belzebu, príncipe dos demônios, Tentador, Grande Dragão, a Antiga Serpente, Pai da mentira, entre outros. Ele foi criado perfeito e era “o selo da simetria e a perfeição da sabedoria e da formosura” (Ez 28.12 – TB), mas o seu orgulho  levou-o a considerar-se igual a Deus: “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). E assim, ele foi expulso do céu: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva!” (Is 14.12). A Vulgata Latina emprega “Lúcifer”, termo latino que significa “portador de luz”, para “filho da alva”. Ele foi expulso do céu com a legião de anjos que se rebelou junto com ele. O modus operandi dos demônios e do seu maioral é a mentira, o erro e o engano. A mentira é uma das características da natureza satânica. Jesus disse que o Diabo é o pai da mentira: “[...] ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Com o engano, ele começou as suas atividades contra o ser humano. É com essa arma que ele e seus agentes seduzem as pessoas: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Ap 12.9). O poder de Deus sobre Satanás e seus demônios é total e absoluto. Jesus venceu o Diabo logo no início do seu ministério terreno, e o Reino de Deus foi manifestado também pela expulsão de demônios. Os demônios sabem quem é Jesus e reconhecem que Ele é o Filho de Deus; entretanto, milhões de homens e mulheres ainda não descobriram essa verdade. Esses espíritos imundos conhecem a grandeza do poder de Jesus a ponto de nem mesmo o maioral deles poder confrontá-lo. Jesus disse que Satanás já está julgado: “e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado” (Jo 16.11), aguardando o dia do tormento eterno no lago de fogo, tão temido pelos demônios.

8.    Conclusão
            Esta doutrina, apesar de difícil, é da mais alta importância para o crente em sua vida cotidiana, pois os anjos são exemplos de louvor e ajudadores enviados por Deus. É reconfortante saber que há anjos do Senhor trabalhando para nos proteger dos perigos espirituais que rondam nossas vidas, e termos como exemplo de quão maravilhosa será nossa vida louvando ao Senhor por toda a eternidade

          Bibliografia: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

SOBRE O HOMEM


              
               Introdução
               CREMOS, professamos e ensinamos que o homem é uma criação de Deus: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7). A palavra “homem” no relato da criação em Gênesis 1 e 2 é adam, que aparece depois como nome próprio do primeiro homem. O ser humano foi criado macho e fêmea: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27).           Trata-se de um ser inteligente e que foi capaz de dar nome aos animais; feito à semelhança de Deus: “os homens, feitos à semelhança de Deus” (Tg 3.9); um pouco menor do que os anjos; coroado de honra e de glória e dotado por Deus de livre-arbítrio, ou seja, com liberdade de escolher entre o bem e o mal. Mediante a graça, essa escolha continua mesmo depois da queda no Éden: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7.17). Mais de uma vez, Israel teve a liberdade de escolha quando foi chamado por Deus.            Podemos afirmar que nenhuma outra criatura foi feita como o homem, que é considerado a coroa da criação. Adão é o primeiro homem, e dele e Eva veio toda a geração dos seres humanos que vivem sobre o planeta terra.
1.      A constituição humana.
               Entendemos que o ser humano é constituído de três substâncias, uma física, corpo, e duas imateriais, alma e espírito. Exemplo dessa constituição nós temos no próprio Jesus. Essa doutrina é chamada tricotomia. Cristo é apresentado nas Escrituras com essas três características distintas e essenciais: “todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis [...]” (1 Ts 5.23); “[...] e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). Em 1 Coríntios 2.14-16; 3.1-4, o apóstolo Paulo mostra o homem “natural”, termo que literalmente quer dizer “pertencente à alma”, o homem carnal e o homem “espiritual”.       Por essas passagens do Novo Testamento, a natureza humana consiste numa parte externa, o corpo ou a carne, chamada “homem exterior” e uma parte interna, denominada “homem interior”, composta do espírito e da alma.
               2. O corpo
               O corpo é o invólucro do espírito e da alma. É a parte física, o homem exterior, que se corrompe, ou seja, envelhece e é mortal. O homem é carne como criatura perecível: “porque toda a carne é como erva” (1 Pe 1.24). Rejeitamos a ideia de ser o corpo a prisão da alma e do espírito ou de ser inerentemente mau e insignificante, pois ele é templo do Espírito Santo e templo de Deus, uma vez que o Espírito Santo habita em nós. O corpo é importante, pois Deus o ressuscitará: “Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção” (1 Co 15.42).
3.      O homem interior
                Praticamente tudo o que a Bíblia diz a respeito da alma fala também do espírito, pois ambos deixam o corpo por ocasião da morte e sobrevivem a ela. Às vezes, o ser humano é tido como “corpo e alma” e, outras vezes, “corpo e espírito”. Deus é revelado como espírito e alma. Essa interligação, às vezes, confunde os termos alma e espírito. Entretanto, eles são distintos entre si. O Espírito Santo opera por meio do espírito humano: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); mas isso nunca se diz com respeito à alma humana. A Bíblia fala sobre o homem perder a sua alma: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16.26); essa linguagem, todavia, nunca é usada a respeito do espírito. A alma e o espírito são substâncias espirituais incorpóreas e invisíveis. Apesar dessas características comuns, são entidades distintas, porém inseparáveis; são os dois lados da substância não física do ser humano, o “homem interior” (Ef 3.16).A Bíblia apresenta vários termos para indicar a parte espiritual do ser humano, além de alma e espírito, tais como mente, vontade e o uso metafórico de coração e rins.
4.      O espírito humano
               Ensinamos que o espírito é uma entidade distinta da alma, que, às vezes, é confundida com ela porque os dois elementos são inseparáveis e de substância imaterial. O espírito foi colocado por Deus no interior de Adão quando este foi criado; o espírito humano está em todos  os seres humanos. O espírito está dentro do corpo. É por meio dele que se adora a Deus e que ele se torna também o centro da devoção a Deus quando passa a ser morada do Espírito Santo: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Do espírito humano, provém o desejo de buscar as coisas espirituais.
5.      A alma humana
               A palavra “alma” tem vários significados na Bíblia, a saber, o próprio indivíduo: “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4), a pessoa e a vida. A alma é a sede do apetite físico, das emoções, dos desejos tanto bons como ruins, das paixões e do intelecto. É o centro afetivo, volitivo e moral da vida humana. A alma comunica-se com o mundo exterior por meio do corpo. É a partir dela que o homem sente, alegra-se e sofre através dos órgãos sensoriais. Como um dos elementos da natureza essencial do ser humano, a alma é uma substância incorpórea e invisível, inseparável do espírito, embora distinta dele, formada por Deus dentro do homem, sendo também consciente mesmo depois da morte física: “vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.9,10).
6.      O fôlego de vida nos animais
               Os animais foram criados por Deus “conforme a sua espécie” (Gn 1.21,24,25), mas o ser humano foi criado “à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27). A natureza física do ser humano é o que há de comum com os animais e as plantas, sendo que a nossa estrutura física é mais complexa. Essa diferença é, portanto, de grau. As Escrituras chamam de “alma vivente” tanto o ser humano como os animais; há, porém, diferença no tipo de alma que o homem possui, pois os animais têm uma alma rudimentar. O termo “sangue” é, às vezes, usado para designar a vida dos animais. Assim como “nem toda carne é uma mesma carne” (1 Co 15.39), da mesma forma nem toda alma é uma mesma alma, pois Deus soprou nos narizes de Adão “o fôlego de vida”. Assim sendo, a alma humana foi animada pelo espírito que veio direto de Deus na criação de Adão. A alma dos animais irracionais é extinta na morte deles, mas não é isso que acontece com os seres humanos. A declaração de Eclesiastes 3.19-21 não faz menção da palavra “alma”, o que revela a morte física comum tanto aos humanos como aos animais irracionais.
7.      Os dois destinos
               Ensinamos que, na morte física do ser humano, alma e espírito são separados do corpo e que os cristãos que partiram desse mundo são chamados de “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23), e os demais, de “espíritos em prisão” (1 Pe 3.19). Mas esses espíritos não ficam vagando no espaço e nem se comunicam com os vivos. Rejeitamos a crença da comunicação dos mortos com os vivos e a doutrina da reencarnação: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9.27); “porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta” (Sl 78.39). Morte significa “separação”. Há apenas dois destinos para os seres humanos, o Céu ou o Inferno. Deus tem um lugar preparado para os salvos na sua morte, que é identificado de diversas maneiras: “uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus [...] nossa habitação, que é do céu” (2 Co 5.1,2); “habitar com o Senhor” (2 Co 5.8); “estar com Cristo” (Fp 1.23). Os mártires da Grande Tribulação aparecem debaixo do altar de Deus, no Céu.
               Conclusão
              
            O homem foi designado para ser a imagem de Deus com respeito à soberania; e como ninguém pode ser monarca sem súditos e sem reino, Deus deu-lhe tanto um "império" como um "povo". Deus os abençoou, e lhes disse: "Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra" (Gên. 2:28). Em virtude dos poderes implícitos em ser o homem formado à imagem de Deus, todos os seres viventes sobre a terra estavam entregues na sua mão. Ele devia ser o representante visível de Deus em relação às criaturas que o rodeavam. Todavia a queda do homem resultou na perda e no desfiguramento da imagem divina. Isto não quer dizer que os poderes mentais e psíquicos (a alma) foram perdidos; mas que a inocência original e a integridade moral, nas quais foi criado, foram perdidas por sua desobediência. Portanto, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e está sem esperança, a não ser por um ato de graça que lhe restaure a imagem divina.



quinta-feira, 31 de maio de 2018

SOBRE O ESPÍRITO SANTO



         
        
SOBRE O ESPÍRITO SANTO
         
Introdução
                  
                    CREMOS, professamos e ensinamos que o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Deus igual ao Pai e ao Filho: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). O Espírito Santo é da mesma substância, da mesma espécie, de mesmo poder e glória do Pai e do Filho, pois é chamado de outro Consolador: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). O Espírito Santo não é uma parte da Divindade, mas, sim, Deus em toda a sua plenitude e, por isso mesmo, é incriado, autoexistente e absolutamente autônomo: “o Espírito que provém de Deus” (1 Co 2.12), como havia declarado o Credo de Atanásio: “Tal como é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho incriado, e o Espírito Santo incriado... não há três incriados,... mas um só incriado”. Ele é o Espírito eterno e existe por si mesmo. Ele pertence à mesma essência e substância indivisível e eterna do Pai e do Filho. Os homens e os anjos foram criados e dependem do Criador, mas Ele, o Espírito Santo, não depende de nada, pois Ele é o Senhor: “o Senhor é o Espírito” (2 Co 3.17 – ARA).
1.    Seus nomes e títulos
          O título geral que identifica a terceira Pessoa da Trindade é Espírito Santo, e esse título é um entre tantos concedidos a Ele, tais como: Espírito de Deus, Espírito do Senhor, Espírito de Jesus, Espírito de Cristo, Espírito da Graça, Espírito da Glória, Espírito de Vida, Consolador e Espírito da Verdade. Essa diversidade de nomes e títulos não anula a sua singularidade e unicidade, pelo fato de o Espírito não se manifestar por um único nome, tem na pluralidade de nomes e títulos dados a Ele a diversidade de suas obras no universo: “Pelo seu Espírito ornou os céus” (Jó 26.13); e na criação: “Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104.30); e isso não o torna uma emanação ou influência impessoal. Sua personalidade tem um caráter moral e espiritual que se manifesta por meio do falar, do sentir e do realizar alguma coisa.
2.    A deidade do Espírito Santo
          Declaramos e ensinamos a deidade absoluta do Espírito Santo, pois “Espírito Santo” e “Deus” aparecem como nomes intercambiáveis nas Escrituras Sagradas. Isso mostra clara e inconfundivelmente a divindade absoluta do Espírito Santo, pois ambos são da mesma natureza e de uma só substância: “O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca. Disse o Deus de Israel” (2 Sm 23.2,3); “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?... Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4); “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). Não se trata de uma doutrina isolada, pois a Bíblia, além de afirmar a deidade do Espírito Santo, também revela os mesmos atributos que são exclusivos de Deus, assim como as mesmas obras de Deus. O Espírito Santo possui os atributos da divindade e realiza as obras de Deus. Os atributos do Espírito Santo não foram agregados nem conferidos, mas pertencem a Ele naturalmente: “porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11). O Espírito Santo é Deus onipotente, onisciente, onipresente, eterno e criador. São atributos intransferíveis e absolutos. Ele é o Senhor: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17 – ARA). Outra evidência bíblica que prova a deidade do Espírito Santo são as suas obras, as quais são exclusividades de Deus. Jesus foi concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo: “Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18); “apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20). Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, mas Ele é chamado de Filho de Deus: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O Filho foi gerado pelo  Espírito Santo; no entanto, está também escrito que o Filho foi gerado pelo Pai. O Espírito Santo ressuscitou a Jesus; Ele é o autor do novo nascimento: habita nos fiéis, dá a vida eterna, falou pelos profetas e apóstolos, inspirou os santos homens de Deus que escreveram as Escrituras, guia o seu povo, santifica os fiéis e deu missão aos profetas e apóstolos da Bíblia.
3.    O Consolador
          O Senhor Jesus chama o Espírito Santo de o “Consolador”: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito [...]. Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim [...]. Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (Jo 14.26; 15.26; 16.7). O termo grego para “Consolador” usado aqui é paráklētos, que significa “defensor, advogado, intercessor, auxiliador”. Aparece como “advogado” quando aplicado ao Senhor Jesus: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2.1). Essa palavra era usada nas cortes de justiça para denotar um assistente legal, um defensor, um advogado. O Senhor Jesus chamou o Espírito Santo de Paracleto; logo, não pode ser Ele uma força impessoal. O Consolador é enviado pelo Pai em nome de Jesus para ensinar os discípulos e fazê-los lembrar de tudo o que o Filho ensinou e para dEle testificar. Jesus disse aos seus discípulos que estava voltando para o Pai, mas que continuaria cuidando da Igreja, pelo seu Espírito Santo, o Paracleto, um como Ele, que teria o mesmo poder para preservar o seu povo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). A palavra “outro” indica aqui alguém da mesma natureza, da mesma espécie e da mesma qualidade. O Espírito Santo, portanto, é alguém como Jesus, de mesma substância, glória e poder, como declara o Credo Niceno Constantinopolitano, do ano 381: “Cremos no ESPÍRITO SANTO, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas”.
4.     A personalidade do Espírito Santo
          Cremos e ensinamos que o Espírito Santo é uma pessoa. Sua personalidade está presente em toda a Bíblia de maneira abundante e inconfundível e tem sido crença da Igreja desde o princípio. A Bíblia revela todos os elementos constitutivos da personalidade do Espírito Santo, como intelecto, emoção e vontade. Outra prova da pessoalidade do Espírito Santo é que Ele reage a certos atos praticados pelos seres humanos. Pedro obedeceu ao Espírito Santo. Ananias mentiu ao Espírito Santo: “para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?” (At 5.3); Estêvão disse que os judeus sempre resistiram ao Espírito Santo: “vós sempre resistis ao Espírito Santo” (At 7.51); os fariseus blasfemaram contra o Espírito Santo: “a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens” (Mt 12.31); e os cristãos são batizados também em seu nome: “batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). O Espírito Santo relaciona-se com os crentes de maneira pessoal, pois somente uma pessoa poderia agir como mestre, consolador, santificador e guia. Cremos e declaramos que o Espírito Santo ensina, fala, guia em toda a verdade, julga, ama, contende, convida e intercede. Ele é Deus, Ele é pessoal.
5.    Os símbolos do Espírito Santo
          Entendemos que os símbolos do Espírito Santo são reflexos das suas múltiplas operações, mas, de maneira alguma, comprometem a sua personalidade e divindade. Os principais símbolos são fogo, água, vento, óleo e pomba. Sua ilustração como fogo mostra o seu papel similar, pois o fogo aquece, ilumina e espalha-se purificando: “este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3.16). Ao ser simbolizado como fogo, não significa que Ele seja desprovido de personalidade; trata-se de uma linguagem figurada. A Bíblia atribui essa mesma figura a Deus-Pai: “porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12.29). A água é indispensável à vida. Ela lava, refresca e refrigera, e é isso que o Espírito Santo realiza na vida do crente. Jesus disse: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito” (Jo 7.37-39). A ação do vento é comparada à do Espírito Santo: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo  aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). O vento é invisível aos olhos humanos, assim como é um mistério a obra regeneradora do Espírito Santo. O óleo ou azeite era usado para a luz, a unção e o incensário, elementos apropriados para tipificar o Espírito Santo: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu” (Lc 4.17); “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (At 10.38). Finalmente, temos a pomba como um dos símbolos do Espírito Santo. João Batista disse: “e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). A pomba representa mansidão, brandura, simplicidade, pureza, amor, paz, longanimidade. A expressão “em forma” revela que Ele desceu sobre Jesus numa aparência ou na figura de uma pomba, e não que Ele seja uma pomba.
Referência: Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil - Casa Publicadora das Assembleias de Deus Declaração de Fé - Novembro/2016.









sábado, 26 de maio de 2018

SOBRE AS OBRAS DE CRISTO



               Introdução

               CREMOS, professamos e ensinamos que a morte e a ressurreição corporal de Cristo são a viga mestra e o pilar da fé cristã. Esses eventos distinguem o cristianismo de todas as religiões do mundo, pois o seu fundador continua vivo e vive para sempre: “Não temas; eu sou o Primeiro e o Último e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre” (Ap 1.17,18). Sem a sua morte, não haveria redenção: “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.9). Sem a ressurreição, não haveria esperança para a humanidade: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos” (1 Co 15.17,18). As obras de Cristo são amplas, mas aqui focamos em sua morte, ressurreição, ascensão ao céu e também nas implicações teológicas de sua morte expiatória e vicária em favor de todos os pecadores.

1.               A morte de Jesus.
               Não se trata apenas da morte de um justo, mas também de um sacrifício como oblação pelos nossos pecados, que Deus propôs e recebeu como propiciação pelas nossas ofensas. O aspecto histórico está nos evangelhos; o doutrinário, em Atos, nas epístolas e em Apocalipse. O primeiro anúncio da vinda do Messias já previa a sua morte: “esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Isso fala sobre seu sofrimento e, também, sobre sua glória. Os detalhes são revelados progressivamente no transcorrer do tempo. O sofrimento e a morte de Jesus foram anunciados de antemão no Antigo Testamento por figuras e tipos, a começar pelo ritual do tabernáculo e, de maneira direta, pelos profetas. O Novo Testamento ressalta o cumprimento dessas profecias.
2.      A morte vicária.
                Morte vicária significa morte substitutiva. Todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento fundamenta-se na ideia de substituição, e essa transferência da culpa do pecador para a vítima é simbolizada pela imposição de mãos sobre a cabeça do animal: “E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito por ele, para a sua expiação” (Lv 1.4). A descrição do cordeiro da Páscoa, desde o êxodo do Egito, aponta para Cristo e o seu sacrifício: “não levarás daquela carne fora da casa, nem dela quebrareis osso” (Êx 12.46). Isso foi cumprido no Calvário. O cordeiro pascoal foi sacrificado no Egito para a redenção de Israel, em lugar dos primogênitos. Deus feriu os egípcios e livrou os filhos de Israel. Da mesma forma, o Senhor Jesus morreu pelos nossos pecados; Ele é o nosso Cordeiro Pascoal: “Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7). O caráter da morte substitutiva de Cristo é anunciado de maneira direta desde o Antigo Testamento: “Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6). A palavra profética continua mais adiante dizendo: “porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.12). Jesus via a si mesmo nessa profecia de Isaías. As iniquidades de todos os pecadores foram transferidas para o Servo Sofredor mencionado nesse oráculo de Isaías. Sua morte foi em nosso lugar, Ele morreu por todos, pelos pecados do mundo inteiro. O Senhor Jesus Cristo morreu em favor dos pecadores: “que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3). Ao utilizar a expressão “segundo as Escrituras”, Paulo assevera que o sacrifício de Jesus representa a convergência do pensamento exarado no Antigo Testamento. O Senhor Jesus ofereceu-se como sacrifício voluntário, e isso agradou o Pai.
3.      Ressurreição e ascensão de Cristo.
Cremos e ensinamos que o Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia, “segundo as Escrituras” (1 Co 15.4), e apresentou-se vivo, com muitas e infalíveis provas aos seus discípulos por espaço de 40 dias. A ressurreição de Jesus foi corporal, conforme profetizado no Antigo Testamento, anunciado de antemão pelo próprio Senhor Jesus Cristo, testemunhado pelos apóstolos: “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas” (At 2.32). Essa promessa divina cumpriu-se, como testificou o apóstolo Pedro no dia de Pentecostes. Além dos apóstolos, Jesus apareceu a Saulo de Tarso e a Tiago e ainda a mais de 35 500 pessoas. A expressão “segundo as Escrituras” significa que esses acontecimentos estavam no cronograma divino e foram registrados de antemão no Antigo Testamento. A morte e a ressurreição de Jesus são os principais elementos que distinguem o cristianismo de todas as religiões da terra, pois Jesus, o seu fundador, vive para sempre: “havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele” (Rm 6.9). A sua morte vicária seria destituída de significado teológico se ele tivesse permanecido na sepultura. Aquele corpo que foi crucificado não pôde ficar na sepultura. Essa ressurreição significa a glorificação e exaltação de Jesus, a vitória esmagadora sobre Satanás, sobre o pecado, sobre a morte e sobre o Inferno. A morte e a ressurreição de Jesus são o centro da pregação do evangelho. A ascensão vitoriosa de Cristo ao céu é a coroação de seu ministério. Após sua morte e ressurreição, foi elevado ao céu: “e aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu” (Lc 24.51); e assentou-se à direita de Deus, onde se encontra até hoje.
4.      A expiação.
               Cremos que Deus aceitou a morte de seu Filho Jesus Cristo como expiação pelos nossos pecados: “mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (Hb 10.12); “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pe 2.24). O termo “expiação” ou o verbo “expiar” refere-se a sacrifício para purificação e perdão dos pecados, mas o significado primário dessa palavra é “cobrir”, cuja ideia é de cobrir com sangue: “porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (Lv 17.11). Esse ritual está no sistema mosaico: “assim, o sacerdote por ela fará expiação dos seus pecados, que pecou, e lhe será perdoado o pecado” (Lv 4.35). Enquanto princípio, é reafirmado no Novo Testamento: “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9.22). Isso é chamado propiciação — o ato que apazigua a ira divina e satisfaz a santidade e a justiça de Deus — resultando no perdão dos pecados. Deus propôs Cristo Jesus para propiciação por meio da fé no seu sangue. Jesus é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro. A ira divina é a reação da santidade de Deus ante a pecaminosidade humana. A expiação é o meio para aplacar essa ira. A propiciação é resultado do amor de Deus. Esse amor foi a causa do envio do Filho para propiciação: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10).

5.      O valor do sacrifício de Jesus.
               O Senhor Jesus ofereceu um sacrifício perfeito. A vítima do sacrifício foi Ele mesmo: “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29); e não um animal, pois o sangue de animais não era suficiente para pagar tão alto preço. Por isso, Jesus submeteu-se a si mesmo como sacrifício fazendo expiação com o seu próprio sangue por todos os seres humanos: “para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hb 2.9 – ARA). O valor de sua morte é suficiente para salvar todos e cada um dos pecadores. Assim, Ele pôde expiar o pecado do povo: “Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Hb 2.17); “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei” (Gl 4.4, 5). Sendo Deus e homem, Jesus não conheceu o pecado, mas fez-se pecado por nós. Assim sendo, o sacrifício de Jesus é de um valor infinito e ilimitado: sua morte pode expiar os pecados da humanidade inteira. A morte de Jesus pôs fim à inimizade entre Deus e a humanidade, e isso é chamado reconciliação. Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho.

Referência:Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Casa Publicadora das Assembleias de Deus - Declaração de Fé Novembro/2016.